GOVERNO REFLITA SOBRE REDES
Governo Lula adia decisão sobre restrição de redes sociais para crianças e avalia efeitos do ECA Digital
Equipe de reeleição do presidente Lula (PT) considera inoportuno defender proibição de acesso para menores de 16 anos em ano eleitoral. Medida similar foi anunciada pelo Reino Unido.
A campanha de reeleição do presidente Lula (PT) decidiu aguardar a análise dos impactos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital antes de considerar novas medidas restritivas sobre o acesso de menores a redes sociais. A informação, divulgada pela coluna Painel, da Folha de São Paulo, indica que a equipe presidencial avalia a proposta britânica de proibir o uso de redes por crianças e adolescentes com menos de 16 anos, anunciada na segunda-feira, 15 de março de 2026, mas não a prioriza neste momento.
Aliados do presidente entendem que defender uma medida drástica como essa em ano eleitoral seria inadequado, especialmente diante da conhecida resistência das grandes empresas de tecnologia e de setores que defendem a liberdade de expressão. A decisão busca equilibrar a proteção de crianças e adolescentes com o cenário político e econômico.
O ECA Digital, aprovado em 2025 e vigente desde março, estabelece um conjunto de normas focadas na proteção de dados, na segurança online e na responsabilização das plataformas digitais no que tange a crianças e adolescentes. A iniciativa visa criar um ambiente digital mais seguro e ético para os jovens brasileiros.
O programa de governo do PT, ainda em fase de elaboração, deve dar prioridade ao Marco Civil da Internet e à regulamentação das redes sociais, utilizando o ECA Digital como principal referência. A proposta busca consolidar um marco regulatório que proteja os direitos dos usuários, especialmente os mais vulneráveis.
Em maio de 2026, o presidente Lula já havia assinado um decreto que atualizou o Marco Civil da Internet. Essa atualização ocorreu após o Supremo Tribunal Federal (STF) modificar seu entendimento sobre a responsabilidade das plataformas, estabelecendo punições mesmo sem necessidade de ordem judicial prévia em determinados casos. Essa medida reforça a busca por maior responsabilização das empresas de tecnologia.
Dentro da base aliada, há divergências sobre o tema. A deputada federal Maria do Rosário prefere aguardar a consolidação dos resultados e a aplicação efetiva do ECA Digital antes de debater a proibição total do acesso às redes sociais. Em contrapartida, a deputada Marina Helou sugere a proposição de um projeto de lei similar ao britânico, caso seja eleita, demonstrando a complexidade do debate e a variedade de opiniões sobre o assunto.
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