FERROVIAS GANHAM APOIO
Governo lança nova linha de financiamento para projetos ferroviários
Linha de crédito com prazos estendidos busca impulsionar a participação privada e viabilizar grandes obras como Ferrogrão e EF-118. A medida visa superar gargalos logísticos e integrar modais de transporte no Brasil.
O governo federal, em colaboração com o Ministério dos Transportes e o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico), anunciou nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, a criação de uma nova linha de financiamento voltada para projetos ferroviários. A iniciativa tem como objetivo primordial expandir a participação do setor privado na construção e modernização de ferrovias, além de fortalecer projetos estratégicos da carteira ferroviária nacional.
Essa nova modalidade de crédito oferece condições facilitadas, com prazos de pagamento que podem se estender por até 40 anos. Tais condições são cruciais para o avanço de empreendimentos de grande porte, como a Ferrogrão e a EF-118 (Anel Ferroviário do Sudeste), que demandam vultosos investimentos para sua execução e representam avanços significativos na infraestrutura logística do país.
A apresentação oficial da linha de financiamento ocorreu durante o evento “Novos Caminhos sobre Trilhos: O Futuro das Ferrovias no Brasil”, realizado na Arena B3, em São Paulo. A cerimônia reuniu representantes do governo, do setor privado e especialistas para discutir o futuro do transporte ferroviário no país.
A necessidade de uma política de crédito mais robusta para o segmento ferroviário já havia sido defendida pelo ministro dos Transportes em entrevista concedida ao programa Conexão Infra, do CNN Money. A declaração sinalizava a importância estratégica que o governo atribui à modernização da malha ferroviária.
O desafio de criar corredores logísticos eficientes e integrados entre os diversos modais de transporte – rodovias, ferrovias e hidrovias – é uma prioridade nacional. A visão é que a infraestrutura do Brasil precisa ser mais conectada e ampliada em todas as regiões, garantindo maior competitividade e desenvolvimento.
Atualmente, o país conta com uma malha ferroviária histórica de aproximadamente 35 mil quilômetros, porém, apenas cerca de 10 mil quilômetros permanecem em operação efetiva. Essa discrepância evidencia um gargalo significativo que precisa ser superado para destravar o potencial logístico brasileiro.
Diante desse cenário, o Ministério dos Transportes tem trabalhado na integração da carteira ferroviária com outros modais, incluindo hidrovias, portos, terminais e rodovias. O objetivo é construir uma rede logística nacional coesa e eficiente, que atenda às demandas do crescimento econômico e social.
A avaliação da pasta é que os mecanismos de financiamento tradicionais nem sempre se adequam às particularidades e aos longos ciclos de investimento do setor ferroviário. A nova linha de crédito, com condições mais compatíveis com o perfil desses empreendimentos, tem o potencial de ampliar a competitividade e atrair os investimentos necessários para os próximos projetos ferroviários previstos para o Brasil.
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