GESTÃO DO SIN

Sistema Interligado Nacional enfrenta desafios com oferta excessiva de energia

Painéis solares instalados em telhados de residências.
O crescimento da geração solar distribuída altera a dinâmica de oferta e demanda no Brasil.

Operador Nacional do Sistema Elétrico implementou cortes emergenciais para estabilizar a rede diante do descompasso entre a alta geração renovável e o consumo.

O Brasil atravessa um momento atípico no setor elétrico, onde o principal desafio deixou de ser a falta de suprimento para se tornar o excesso de oferta. Essa nova realidade, que contrasta com o cenário de racionamento vivido há duas décadas, pressiona o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Para mitigar o risco de sobrecarga, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, no dia 7 de junho, um plano emergencial para conter o ingresso de eletricidade na rede. A medida, conhecida no meio técnico como curtailment, consiste no desligamento ou redução da geração, afetando especialmente parques eólicos e solares.

A ação foi considerada necessária para manter o controle de frequência do sistema elétrico. O desequilíbrio naquele domingo de junho foi agravado pela combinação de baixa demanda industrial e comercial — reflexo do feriado de Corpus Christi e temperaturas amenas — com a alta produção de fontes renováveis. Cortes semelhantes foram registrados em dias de jogos da Copa.

Joisa Dutra, diretora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ceri), enfatiza que o funcionamento adequado da rede exige que oferta e demanda caminhem lado a lado. Atualmente, a complexidade aumenta devido à descentralização da produção de energia.

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam que 4,5 milhões de consumidores, o que equivale a 5% do total, operam como micro ou minigeradores. Com uma potência instalada de 50 gigawatts, esse setor atua fora do comando centralizado do ONS, dificultando a gestão do sistema em momentos críticos.

Enquanto a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) alerta para os prejuízos aos investidores causados pelo curtailment, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) argumenta que o problema não reside na expansão das fontes renováveis, mas na carência de investimentos estruturais em armazenamento e modernização da rede.

O cenário é complementado pelo excesso de subsídios estatais, que fomentaram uma corrida por investimentos sem a contrapartida de flexibilidade operativa. O resultado é um setor que precisa evoluir rapidamente para integrar as novas fontes sem comprometer a estabilidade do SIN ou sobrecarregar ainda mais a conta de luz do consumidor.

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