DIPLOMACIA E ESPORTE

Governo francês repudia fala racista de ex-premiê espanhol sobre seleção

O ministro Jean-Noël Barrot em entrevista oficial.
Jean-Noël Barrot, ministro francês para a Europa e Assuntos Exteriores.

Jean-Noël Barrot defendeu a identidade plural do elenco francês, classificando a declaração de Rajoy como intolerável em meio à semifinal da Copa.

O ministro francês para a Europa e Assuntos Exteriores, Jean-Noël Barrot, condenou declarações de cunho racista proferidas pelo ex-premiê espanhol, Rajoy, ao afirmar que a França não possui uma única cor de pele e que a diversidade é parte essencial da identidade nacional. O posicionamento foi oficializado nesta segunda-feira, 13/07/2026, em entrevista conjunta às emissoras BFMTV e RMC, como uma resposta direta à narrativa de que a seleção francesa de futebol atuaria "sem franceses".

Ao refutar a tese de exclusão, Barrot classificou o comentário como uma estupidez e um ato de racismo, defendendo que a seleção reflete a melhor imagem do país: um povo conquistador e audacioso que se une independentemente de origem ou idade. Para o ministro, a resposta definitiva à controvérsia será dada pelos jogadores dentro de campo na semifinal contra a Espanha, nesta terça-feira, 14/07/2026.

A polêmica ganhou corpo após Rajoy publicar um artigo no jornal El Debate questionando a nacionalidade dos atletas. A fala gerou um amplo repúdio institucional na França, unindo vozes como a da presidente da região de Île-de-France, Valérie Pécresse, e o presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo, que classificou o discurso como portador de um "odor de racismo intolerável".

A realidade dos fatos contrasta com a crítica: dos 26 convocados por Didier Deschamps, apenas três atletas — Michael Olise, Marcus Thuram e Brice Samba — nasceram fora do território francês, enquanto os demais possuem raízes profundas na nação. O debate reacende tensões sobre identidade e imigração, ganhando apoio também de esferas políticas espanholas, como a do atual presidente do governo, Pedro Sánchez, e do ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, que exigiram o fim de discursos xenófobos que prejudicam a imagem externa da Espanha.

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