ACORDO EM JOGO
Governo federal busca fôlego com Medida Provisória para adiar debate sobre dívida rural
Proposta apresentada pelo Executivo tenta conciliar exigências do agronegócio e limites fiscais, empurrando decisão final para agosto devido ao recesso parlamentar.
O governo federal apresentou uma proposta de Medida Provisória para renegociar dívidas rurais, buscando ganhar tempo diante do impasse com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e do encerramento das atividades legislativas antes do recesso, que tem início marcado para 17 de julho de 2026. A medida, detalhada nesta segunda-feira, 13/07/2026, visa equilibrar a sustentabilidade fiscal do país com a necessidade de socorro aos produtores que enfrentam dificuldades financeiras.
O impasse legislativo
As discussões sobre o tema se arrastam há meses no Congresso. O Senado Federal, sob articulação de Renan Calheiros (MDB-AL) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), aprovou o PL 5.122/2023 em 10 de junho de 2026, propondo o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal para o refinanciamento. O Executivo, representado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, contudo, alertou que o custo fiscal dessa proposta — estimado em R$ 140 bilhões em 13 anos — seria insustentável, cogitando até o veto ou judicialização via Supremo Tribunal Federal (STF) caso o texto avançasse nos termos originais.
Proposta de equilíbrio
Para tentar um meio-termo, a Fazenda apresentou uma nova proposta em 9 de julho de 2026, prevendo prazos de pagamento de 8 a 10 anos, com carência de até 2 anos para agricultores atingidos por perdas climáticas superiores a 30%. Os limites de renegociação variam conforme o perfil do produtor: R$ 8 milhões por CPF para casos de frustração climática e R$ 4 milhões por variação de preços, com juros anuais entre 6% e 12%, dependendo do porte da produção.
Enquanto a FPA defende termos mais amplos e menores taxas de juros, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou que o projeto não deve ser pautado antes do recesso. Com o Congresso próximo de paralisar as votações, o Executivo trabalha para que a edição da Medida Provisória seja a cartada final para resolver o conflito apenas no retorno dos trabalhos, previsto para agosto de 2026.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário