EXIGÊNCIAS UE

Governo e setor de proteínas debatem exigências da União Europeia sobre antimicrobianos

Reunião sobre regulamentação de proteínas animais no Brasil.
Representantes do setor de proteínas animais e do Mapa se reuniram em Brasília para discutir novas exigências da União Europeia.

Setor produtivo busca alternativas com o Mapa para atender novas regras sobre uso de antimicrobianos sem perder competitividade no mercado europeu.

Em Brasília, representantes da cadeia de proteínas animais se reuniram nesta quarta-feira, 08/07/2026, com integrantes do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) para discutir alternativas que permitam ao Brasil atender às novas exigências da União Europeia (UE) sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. O principal objetivo é garantir que o país não perca competitividade no mercado europeu.

O encontro, realizado na sede da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), reuniu lideranças da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), além de representantes do governo federal. Participaram da discussão Roberto Perosa, presidente-executivo da Abiec, e Renato Costa, presidente do conselho diretivo da entidade; Ricardo Santin, presidente da ABPA, e Marcelo Osório, diretor de relações institucionais da associação; e Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Mapa.

A reunião teve como foco principal atualizar as entidades sobre as medidas que vêm sendo conduzidas pelo governo e alinhar a atuação dos diferentes segmentos da cadeia diante do prazo estabelecido pela União Europeia. A discussão, que não teve caráter deliberativo nem resultou em novas medidas, visa a manter o diálogo aberto antes da entrada em vigor das exigências europeias.

A decisão da União Europeia, que passa a exigir comprovação de que carnes e produtos de origem animal destinados ao bloco sejam provenientes de sistemas livres de determinados antimicrobianos proibidos pelos europeus, ganhou força nas últimas semanas. A avaliação é que uma estratégia coordenada entre poder público e iniciativa privada será fundamental para preservar o acesso ao mercado europeu, um dos mais importantes para o agronegócio brasileiro.

O Ministério da Agricultura já indicou que a adaptação a essas exigências depende, em grande medida, da própria cadeia produtiva. Em resposta enviada à Câmara dos Deputados, a pasta argumentou que os produtos questionados pela União Europeia continuam registrados e autorizados para uso no Brasil. Portanto, caberia ao setor desenvolver mecanismos privados capazes de assegurar que os animais destinados às exportações para o bloco atendam aos requisitos exigidos pelos importadores.

O governo entende que o desafio não passa necessariamente pela proibição desses produtos em todo o território nacional, mas pela criação de sistemas de controle capazes de garantir a rastreabilidade e a segregação dos animais destinados ao mercado europeu. Enquanto se busca uma solução definitiva, o Mapa já determinou a adoção de medidas de controle para os animais que serão exportados à União Europeia, incluindo o acompanhamento de todo o ciclo produtivo e a separação desses rebanhos dos demais.

Nos bastidores, porém, ainda não há um consenso sobre o melhor caminho. Parte da indústria defende regras que tragam maior segurança às exportações, enquanto representantes dos produtores alertam para os impactos que eventuais restrições ao uso dos antimicrobianos podem provocar na produtividade da pecuária brasileira. A busca por um acordo que preserve a competitividade e a segurança alimentar é o foco principal.

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