ECONOMIA NO PRATO
Governo da Itália anuncia queda nos preços de importados
Vinhos e alimentos italianos terão tarifas reduzidas em até 99% com o acordo Mercosul-UE, gerando economia para o consumidor brasileiro e movimentando US$ 85 milhões.
O governo da Itália projeta uma significativa redução nos preços de vinhos, frutas e outros produtos italianos para o consumidor brasileiro, resultado direto do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE). Este tratado, que começou a valer em partes nesta sexta-feira, 1º de maio, prevê amplas reduções tributárias, prometendo aliviar o bolso das famílias e impulsionar o acesso a importados de qualidade superior.
O levantamento detalhado, feito pelo Ministério das Relações Exteriores e Cooperação Internacional da Itália, aponta que não apenas vinhos e frutas, mas também queijos, chocolates, azeites, biscoitos e massas estão entre os produtos que terão seus impostos reduzidos, democratizando o acesso a uma gama ainda maior de importados.
Baseada em dados comerciais do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), a estimativa italiana indica que os descontos tarifários anuais podem alcançar expressivos US$ 63 milhões sobre o total de importações italianas, uma vez que o acordo esteja plenamente implementado. O setor alimentício, vale ressaltar, domina as compras brasileiras da Itália, representando mais de 80% de todos os produtos importados do país europeu, o que amplifica o impacto positivo das novas tarifas.
O governo italiano espera que, já no primeiro ano de vigência do pacto entre os blocos, aproximadamente um terço das importações brasileiras já se beneficie das tarifas reduzidas. A implementação das reduções tributárias, contudo, será progressiva. A projeção é que 75% das importações estejam contempladas pelas novas regras em 2031, atingindo até 99% quando o processo for concluído, um prazo que pode se estender por até 15 anos.
Impacto Variável por Produto
As frutas frescas prometem ser as grandes protagonistas iniciais, com descontos imediatos desde o início do mês. Vinhos espumantes de alto valor, acima de US$ 8 por litro, e óleos vegetais também já desfrutam de um regime tributário especial.
Por outro lado, vinhos de menor custo verão suas quedas de preço de forma mais gradual. Azeites, massas e chocolates italianos, entre outros itens variados, terão a redução de impostos implementada ao longo de um período que pode ir de 4 a 15 anos, conforme a categoria específica.
No ano passado, a categoria de massas, biscoitos e produtos de pastelaria liderou em valor absoluto as compras brasileiras da Itália, com um montante de aproximadamente US$ 85 milhões em 2025. Este grupo, segundo o governo italiano, deverá usufruir dos maiores descontos absolutos ao longo da vigência do acordo.
O Acordo Mercosul-UE: Um Olhar Mais Fundo
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entrou em vigor em caráter provisório nesta sexta-feira, 1º de maio, marcando um novo capítulo nas relações comerciais entre os blocos.
Nesta fase inicial, a conclusão dos trâmites internos e a troca formal de notificações entre as partes permitiram a efetivação da parte comercial do tratado, simplificando as trocas de bens e serviços. Entretanto, os pilares político e de cooperação do acordo aguardam a ratificação completa por todos os países-membros da União Europeia, um processo que ainda não tem data para ser concluído.
Com os produtos importados distribuídos em sete categorias, o cronograma de 15 anos prevê reduções tarifárias escalonadas. A cada ano, o desconto da alíquota de importação crescerá progressivamente, até atingir 100% em cada categoria. O tratado também possui um capítulo robusto sobre defesa comercial, que assegura a aplicação de medidas antidumping e compensatórias, em conformidade com as normas da OMC (Organização Mundial do Comércio). Esta cláusula é vital para proteger os mercados de práticas comerciais desleais.
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