DIPLOMACIA E COMÉRCIO

Governo brasileiro busca cooperação com EUA para frear crime transnacional

Reunião de negociações entre representantes do Brasil e dos Estados Unidos para discutir comércio e biocombustíveis.
Brasil vê avanço em diálogo com os EUA | notícias do rio grande do norte exportações 01 Copia

Negociações avançam em Washington sob o risco de novas tarifas, enquanto o Brasil defende a exclusão do setor de biocombustíveis das sanções da Seção 301.

O governo brasileiro identificou uma abertura dos Estados Unidos para a cooperação bilateral no enfrentamento ao crime transnacional, conforme revelado após uma série de reuniões técnicas realizadas em 10/07/2026. A decisão de pautar o tema nas conversas com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) atende a um pleito direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em exercício, Márcio Elias Rosa, liderou o diálogo em Washington. O avanço nas tratativas diplomáticas é considerado um ponto de convergência, embora o governo mantenha foco rígido na pauta comercial para evitar sanções sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

Apesar da receptividade americana, o governo brasileiro reafirmou que não aceitará a inclusão do etanol nas negociações. Márcio Elias Rosa destacou a integração entre as cadeias de açúcar e bioenergia, ressaltando que o açúcar brasileiro sofre atualmente uma sobretaxa de quase 100% no mercado americano. Para o governo, isolar o etanol da discussão é vital para proteger a economia, especialmente no Nordeste.

A estratégia conta com o respaldo de entidades como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O setor defende que o crescimento do etanol de milho brasileiro é um movimento natural de mercado, não uma barreira comercial artificial.

Com o prazo da consulta pública do USTR se encerrando, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, deve conduzir novos encontros políticos ainda nesta semana. A decisão final sobre a imposição de tarifas ou restrições comerciais contra produtos brasileiros permanece pendente, sujeita aos desdobramentos das análises técnicas do governo americano.

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