RADIOGRAFIA DO CRIME

Mapa do Sistema Penitenciário Federal aponta presença de 40 facções

Infográfico representando facções criminosas dentro das unidades do Sistema Penitenciário Federal.
Mapa do crime: 40 facções têm integrantes em presídios federais

Documento obtido via LAI revela que 461 presos no Sistema Penitenciário Federal mantêm vínculos com organizações criminosas e máfias internacionais.

As cinco penitenciárias federais de segurança máxima do país abrigam atualmente integrantes de 40 facções criminosas, entre organizações de alcance nacional, grupos regionais e até uma máfia internacional. O levantamento foi obtido pela coluna por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e traça um raio-X inédito das organizações que hoje têm membros custodiados no Sistema Penitenciário Federal (SPF).

A relação, elaborada pela Diretoria da Polícia Penal Federal, confirma a presença das duas maiores facções do país — Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) — e revela que o sistema reúne integrantes de grupos de praticamente todas as regiões brasileiras, como Família do Norte (FDN), Guardiões do Estado (GDE), Bonde do Maluco, Sindicato do Crime, Primeiro Grupo Catarinense, Nova Okaida e a Milícia do Zinho. Entre os nomes, aparece também a ’Ndrangheta, organização mafiosa da Calábria, na Itália.

Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), 461 presos atualmente apresentam vínculo com facções criminosas dentro do SPF. Desse total, 159 são classificados como lideranças de organizações criminosas em âmbito regional ou nacional.

As unidades federais estão localizadas em Brasília (DF), Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Mossoró (RN) e Porto Velho (RO). A Polícia Penal Federal adota a separação formal de detentos por facção, seguindo critérios da Lei de Execução Penal. Em razão desse modelo, a Senappen afirma que nunca foram registrados homicídios ou rebeliões motivados por disputas internas entre grupos rivais.

Embora tenha divulgado a lista, a Diretoria de Inteligência Penal negou o acesso ao relatório completo, sob a justificativa de que o documento possui caráter restrito por conter estratégias de inteligência e segurança pública. O mapeamento, instituído em 2022, visa identificar e monitorar a atuação desses grupos para subsidiar o combate ao crime organizado no Brasil.

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