TARIFAS AMERICANA
Governo Americano Realiza Audiências Públicas Sobre Tarifaço de Produtos Brasileiros em Washington
Decisão, que pode afetar mais de 4 mil produtos e gerar prejuízo de US$ 15 bilhões, é debatida em Washington com participação brasileira.
Audiências públicas sobre o pacote de tarifas proposto pelo governo dos Estados Unidos para produtos brasileiros iniciaram nesta segunda-feira, 06/07/2026, em Washington. A decisão impacta diretamente a competitividade da indústria nacional e a relação comercial entre os dois países, gerando preocupação em setores estratégicos para ambas as economias.
Representantes do setor produtivo brasileiro expressaram receio com a medida. Homero Busnello, diretor da indústria de refrigeração, alertou que a elevação das tarifas compromete a competitividade, mesmo para indústrias já estabelecidas nos Estados Unidos. Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, destacou que as exportações brasileiras envolvem insumos e equipamentos essenciais para a produção americana, indicando que a decisão resultará em perdas mútuas.
Embora o governo brasileiro não discurse oficialmente nas audiências, diplomatas da embaixada em Washington acompanham atentamente as discussões. Os Estados Unidos justificaram a investigação, baseada na Seção 301 da lei de comércio americana, alegando práticas desleais por parte do Brasil. O governo brasileiro refutou as críticas na semana passada e aguarda a resposta americana, prevista para até 15 de julho, sobre a taxação de 25% sobre produtos nacionais.
Paralelamente, o Brasil enfrenta outra apuração do Escritório de Comércio dos Estados Unidos, que o incluiu entre países com falhas no combate ao trabalho forçado, com potencial sobretaxa de 12,5%. Em resposta enviada nesta segunda-feira (6), o Brasil negou a acusação, classificando-a como incorreta e sem respaldo, e solicitou que os Estados Unidos não imponham tarifas adicionais. O Itamaraty ressaltou a robustez da legislação brasileira no combate ao trabalho forçado e a criminalização de mercadorias associadas a essa prática.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a adoção das tarifas adicionais de 25% e 12,5% afetará mais de 4 mil produtos brasileiros, com um impacto financeiro próximo a US$ 15 bilhões. Ricardo Alban, presidente da CNI, classificou a situação como um desafio preocupante, dada a importância dos Estados Unidos como parceiro comercial de manufaturados para o Brasil.
A expectativa é de que equipes técnicas de ambos os países se reúnam ainda nesta semana para preparar a negociação final entre ministros brasileiros e Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos. Márcio Fernando Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, enfatizou a necessidade de negociação técnica e demonstração de interesses nacionais, lembrando que os Estados Unidos possuem superávit comercial com o Brasil, o que não ocorre com outras nações.
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