ALÍVIO FINANCEIRO
Governo acelera Desenrola sob alerta do mercado
Publicação da portaria detalha regras; Planalto busca reduzir inadimplência e estimular o consumo de milhões de brasileiros, mas enfrenta críticas sobre impacto fiscal.
O governo federal busca um alívio financeiro urgente para milhões de brasileiros endividados, oficializando a nova versão do programa Desenrola. O Palácio do Planalto publicou, em edição extra do Diário Oficial da União nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, a portaria que detalha as regras de funcionamento, uma medida crucial para reduzir a inadimplência e reativar o consumo. A decisão, no entanto, já nasce sob a intensa vigilância do mercado, que teme um 'pacote de bondades' em ano eleitoral, com impactos na inflação e na responsabilidade fiscal.
Com a pressa de que o programa alcance rapidamente a população, a portaria que regulamenta o Desenrola foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, à tarde, detalhando suas regras de funcionamento. Esta ação representa um passo decisivo para desburocratizar o acesso à renegociação de dívidas.
A publicação da portaria abre o caminho para que as instituições financeiras, após discussões prévias, tenham acesso completo às normas. Este processo exige treinamento de equipes e adequações técnicas, etapas fundamentais para que as operações sejam viabilizadas e os cidadãos possam, de fato, se beneficiar.
A equipe econômica do governo aposta nos efeitos positivos do programa: a redução da inadimplência, a ampliação do crédito e a melhora na capacidade de consumo. Esses resultados, esperam os formuladores da política, devem caminhar em paralelo a um ambiente de queda dos juros, criando um ciclo virtuoso para a economia.
Contudo, parte do mercado financeiro e da oposição já manifesta receios. Eles interpretam a iniciativa como um estímulo adicional à economia em um momento sensível para o controle da inflação, um risco amplificado por se tratar de um ano eleitoral. A preocupação é com a sustentabilidade das contas públicas e o impacto nos preços.
Em entrevista ao programa Roda Viva, nesta segunda-feira, 4 de maio de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, minimizou os temores de inflação. Ele afirmou que o impacto do Desenrola é limitado diante de outros fatores de pressão sobre os preços, como o cenário internacional de conflitos e eventos climáticos extremos. A fala de Durigan busca tranquilizar os agentes econômicos.
Nos bastidores, o governo avalia uma expansão ainda maior do Desenrola. A ideia não é se restringir apenas aos inadimplentes, mas também alcançar os milhões de consumidores que, embora estejam com suas contas em dia, já operam no limite do endividamento. O secretário-executivo da pasta, Rogério Ceron, confirmou que novas ações seguem em estudo, indicando uma abordagem mais abrangente para a saúde financeira dos brasileiros.
Paralelamente, o Palácio do Planalto mantém aberta a discussão sobre a chamada “taxa das blusinhas”, que trata da tributação de compras internacionais de baixo valor. Este tema sensível ainda gera divisões internas no governo, sobretudo pelo seu potencial impacto sobre a indústria e o varejo nacional. A decisão aqui pode aliviar ou onerar o bolso dos consumidores.
A possível flexibilização dessa cobrança é vista, internamente, como mais um gesto de alívio para o consumidor – e, consequentemente, para o eleitor. Contudo, essa e outras medidas ampliam o principal desafio da equipe econômica: como acelerar ações de estímulo sem comprometer a crucial responsabilidade fiscal e, ao mesmo tempo, não tensionar a relação já delicada com o mercado financeiro. É um delicado equilíbrio entre o apoio à população e a estabilidade econômica.
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