INVESTIGAÇÃO NO PT

Gleisi Hoffmann defende investigação sobre Wagner, mas pede cautela em caso do Banco Master

Gleisi Hoffmann
Deputada Gleisi Hoffmann em evento.

Deputada defende apuração rigorosa de supostas irregularidades envolvendo o senador Jaques Wagner e o Banco Master, mas expressa confiança na inocência do colega.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou, nesta sexta-feira (18.jun.2026), que o senador Jaques Wagner (PT-BA) deve responder legalmente caso seja comprovado qualquer envolvimento em irregularidades apuradas pela operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas ao Banco Master. A congressista, contudo, expressou sua confiança na lisura do colega de partido.

Gleisi relatou ter ouvido as explicações de Wagner sobre a operação CredCesta, voltada a servidores públicos e que originou a atuação da instituição financeira no mercado de crédito. Segundo o senador, ele teria vendido a operação antes mesmo de o Banco Master se tornar sócio dela. “Ouvi ele falando sobre isso. Acredito no Jaques, que ele não tem nada a ver. Agora, se tiver comprovação de envolvimento, de benefício pessoal, ele precisa responder. Ninguém está isento disso”, declarou Gleisi em entrevista à rádio BandNews FM Curitiba.

A deputada, pré-candidata ao Senado pelo Paraná, também defendeu a continuidade das investigações sobre o Banco Master e a instalação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para aprofundar os apuramentos. Gleisi Hoffmann comparou o caso com as suspeitas contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), argumentando que as investigações sobre Wagner não diminuem a gravidade das acusações contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal realizou buscas e apreensões em endereços ligados a Wagner como parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. Durante a operação, foram apreendidos US$ 55.000 e 33.000 euros em espécie, totalizando aproximadamente R$ 471 mil.

A investigação apura suspeitas de que Wagner tenha recebido vantagens indevidas ligadas ao Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. A análise dos investigadores inclui a compra de um apartamento em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, e uma transferência de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao empresário Augusto Lima para familiares do senador. Mendonça tratou esse repasse como um dos indícios da relação entre Wagner e Vorcaro.

O ministro da Fazenda, Haddad, ao comentar o caso, enfatizou que a proximidade política não deve impedir a aplicação da lei. “Eu vou lamentar se uma pessoa próxima a mim errou, porque é uma pessoa que eu conhecia. Mas eu não posso desejar, até para o bem da sociedade, que a lei não seja aplicada”, afirmou, acrescentando que a presunção de inocência e o direito de defesa devem ser garantidos a todos, independentemente de serem aliados ou adversários.

Em nota, a assessoria de Jaques Wagner informou que os valores apreendidos são referentes a diárias legais recebidas em missões internacionais não utilizadas e que foram devidamente declarados. O senador declarou que não é réu nem foi denunciado em qualquer processo relacionado aos fatos investigados e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A defesa de Augusto Lima declarou que os fatos apurados são lícitos e que Lima sempre atuou dentro da lei.

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