CRÍTICA A INVESTIGAÇÃO
Gilmar Mendes critica condução de inquérito e compara caso Master à Lava Jato
Ministro Gilmar Mendes aponta "vazamentos massivos", "pressão" e "excessos" na apuração sobre fraudes do Banco Master, comparando-a a métodos da Lava Jato.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou duramente nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, a condução do inquérito que apura fraudes no Banco Master. Mendes afirmou que "vazamentos massivos e seletivos", além de "pressões" e "excessos persecutórios", transformam a investigação em um caso com semelhanças desconfortáveis com a extinta Operação Lava Jato, impactando a dignidade dos investigados e a percepção da justiça.
As ponderações foram feitas durante a Segunda Turma do STF, que julgou a manutenção das prisões do pai e do primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro havia pedido vista dos autos no final de maio, suspendendo a análise sobre a decisão tomada por seu colega André Mendonça no início daquele mês. Nesta terça, Mendes liberou o caso para julgamento e apresentou seu voto, que se mostrou contrário à manutenção das prisões em regime fechado.
Ao iniciar sua longa explanação, Mendes descreveu o caso como "rumoroso", que ocupa o noticiário de maneira "espetaculosa e sensacionalista". Ele detalhou a ocorrência de "vazamentos massivos e seletivos de informações protegidas por sigilo", transferências rotineiras de presos entre unidades prisionais, o uso de "prisões como instrumento de pressões", a dificuldade de acesso dos ministros às investigações, monitoramento de advogados e o que chamou de "excesso persecutório e uso indevidamente instrumental do processo penal".
Conhecido por ser um crítico da Operação Lava Jato, o ministro apontou que a Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes do Master desde novembro de 2025, "tem se valido de expedientes que guardam desconfortante semelhança com a Lava Jato". Mendes lamentou que a investigação, apesar de ter uma nova roupagem, incorre em "iniquidades" que remetem ao passado. Ele registrou com "incredulidade e alguma tristeza" as semelhanças, enfatizando que tais práticas afetam o devido processo legal e a confiança no sistema judiciário.
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