SINAIS DE ALERTA
Gastroenterologista alerta para sinais silenciosos da gordura no fígado
Doença silenciosa afeta até 30% da população no Brasil e pode evoluir para cirrose se não tratada. Especialista explica como identificar o problema e os cuidados essenciais.
Cerca de 20% a 30% da população brasileira sofre com esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado. A gastroenterologista Maria Júlia Colossi, membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), descreve a condição como “traiçoeira”, pois ela se manifesta de forma “quase totalmente silenciosa e assintomática” em suas fases iniciais e intermediárias. Esta terça-feira, 30/06/2026, marca a discussão sobre a importância de reconhecer os indícios sutis dessa doença hepática.

Um mito comum, segundo a especialista, é acreditar que exames de sangue de rotina, como os que medem as enzimas hepáticas TGO/AST e TGP/ALT, são suficientes para o diagnóstico. Maria Júlia Colossi esclarece que esses marcadores podem apresentar resultados normais mesmo em casos de fibrose avançada ou inflamação hepática grave, mascarando a real condição do fígado.
Frequentemente, a esteatose hepática é descoberta acidentalmente durante ultrassonografias abdominais, já que não costuma causar dor. Os sinais clínicos mais aparentes muitas vezes estão ligados à resistência à insulina, que acompanha a doença. Exemplos incluem a Acantose nigricans — manchas escuras e aveludadas no pescoço ou axilas — e o aumento da circunferência abdominal. Estes sintomas, embora visíveis, não apontam diretamente para o fígado em si, mas para uma condição metabólica associada.
Sintomas como fadiga intensa ou alterações físicas mais significativas, como o aumento do baço, tendem a surgir quando a gordura no fígado já progrediu para cirrose. A prevenção primária, conforme a médica, mestre pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foca em evitar o ganho de peso e o estresse metabólico, medidas cruciais para a saúde hepática e geral do indivíduo.

Cuidados essenciais para evitar a esteatose hepática
A adoção de certas medidas é fundamental para prevenir a esteatose hepática, especialmente entre os adultos jovens, grupo onde a incidência da doença tem crescido consideravelmente.
Adote um padrão alimentar saudável
A recomendação é seguir modelos alimentares como a dieta mediterrânea, que prioriza alimentos in natura como vegetais, frutas, legumes, peixes e azeites. Deve-se evitar o consumo de produtos ultraprocessados, carnes processadas, refrigerantes e sucos industrializados, ricos em frutose e prejudiciais à saúde hepática.

Pratique exercícios físicos regularmente
O sedentarismo é um fator de risco importante. A médica ressalta a importância de combinar exercícios aeróbicos com treinamento de resistência (musculação), visando acumular pelo menos 150 minutos de atividade de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa por semana. A redução do tempo sedentário, com pequenas pausas para caminhada entre períodos longos sentado, também é sugerida.
Limite ou evite o consumo de álcool
O álcool, em conjunto com outros fatores metabólicos como a obesidade, acelera e agrava as lesões no fígado. O uso abusivo da bebida deve ser evitado a todo custo para preservar a saúde hepática.
Consuma café
Estudos indicam que o consumo regular de café, cerca de três xícaras por dia (com ou sem cafeína), pode ter um efeito protetor sobre o fígado, diminuindo o risco de desenvolver as formas mais avançadas da doença.

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