DIPLOMATAS
Gastos do Itamaraty com auxílio-moradia superam alta do dólar em 4 anos
Enquanto o dólar médio subiu 8,3% entre 2022 e 2025, os pagamentos de auxílio-moradia pelo Ministério das Relações Exteriores tiveram um aumento de 15,2% no mesmo período.
Os gastos do Itamaraty com auxílio-moradia para diplomatas e outros funcionários em missão no exterior registraram uma elevação de 15,2% entre 2022 e 2025. Neste mesmo intervalo, a cotação média do dólar em relação ao real apresentou uma variação de 8,2%. Nesta segunda-feira, 24/05/2026, a notícia ganha destaque ao comparar esses dois índices, evidenciando o impacto financeiro da política habitacional para o corpo diplomático brasileiro no exterior.
O Ministério das Relações Exteriores destinou mais de R$ 800 milhões para cobrir despesas com moradias de seus servidores no exterior durante os anos de 2024 e 2025. Essas informações foram obtidas pelo Poder360 por meio da Lei de Acesso à Informação, diretamente do órgão.
Em 2023, o orçamento atualizado para esta finalidade atingiu R$ 355 milhões. No ano seguinte, o valor ascendeu para aproximadamente R$ 410 milhões, e em 2025, manteve-se estável em torno de R$ 409 milhões, demonstrando um comprometimento financeiro significativo com o suporte habitacional de seus colaboradores.
A necessidade de recursos adicionais para cobrir compromissos do órgão nos meses de novembro e dezembro de 2025 levou o ministro Mauro Vieira a solicitar, em outubro daquele ano, um crédito extra de R$ 352 milhões ao Ministério da Fazenda, Casa Civil e Planejamento. A solicitação visava garantir o pagamento de aluguéis de imóveis oficiais e o apoio logístico a missões presidenciais no exterior.
A prática de oferecer residências a diplomatas existe desde 1990. Contudo, a regulamentação específica do auxílio-moradia foi formalizada apenas em 2022, durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro, por meio do PL.
O benefício é destinado a servidores públicos do Ministério das Relações Exteriores que se encontram em missão permanente ou transitória fora do país. O valor é determinado com base no custo de vida local e no cargo ocupado pelo funcionário, podendo haver acréscimos em casos de dependentes morando no exterior. O auxílio é concedido como ressarcimento após a comprovação das despesas, especialmente quando não há imóvel funcional disponível ou em condições adequadas de uso.
O Ministério das Relações Exteriores apresentou os dados financeiros em duas bases distintas: parte em reais e outra em dólares. Conforme explicação do órgão, essa diferença se deve aos sistemas de cadastro dos postos diplomáticos serem variados. Para evitar distorções, os valores em moeda estrangeira foram convertidos utilizando a cotação do dia da despesa. Essa metodologia reconhece que o auxílio, por ser pago em dólar ou na moeda local, está sujeito às flutuações cambiais.
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