JUROS EM FOCO
Galípolo sinaliza que guerra e El Niño podem frear corte na Selic
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, explicou que a política monetária avalia o impacto de choques externos na inflação, o que pode influenciar a decisão sobre a taxa básica de juros.
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira, 25/05/2026, que o Comitê de Política Monetária (Copom) está atento aos efeitos da guerra no Oriente Médio e do fenômeno El Niño sobre a economia. Esses fatores são considerados cruciais para a deliberação sobre um possível corte ou manutenção da taxa básica de juros, a Selic. A avaliação do colegiado, composto pelos diretores do BC, foca em determinar se as revisões nas projeções econômicas, especialmente as relacionadas à inflação, são resultado exclusivo de choques de oferta causados pela elevação dos preços do petróleo e pelas previsões de um próximo Super El Níño.
“O que a política monetária vem tentando analisar é segredar o que realmente é um elemento de oferta exclusivamente e quais são as possibilidades e riscos que existem, o que a gente chama de efeito de segunda ordem”, explicou Galípolo, destacando a complexidade em distinguir as causas primárias das consequências secundárias na economia.
O cenário inflacionário desafia as projeções. Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central para o Boletim Focus elevaram, pela 11ª semana consecutiva, a estimativa de inflação para 2026, agora projetada em 5,04%. Este índice é o principal parâmetro para a definição da Selic.
Na última reunião do Copom, realizada entre 28 e 29 de abril, a Selic foi ajustada de 14,75% para 14,5%. A próxima decisão do colegiado está agendada para 16 e 17 de junho. O Boletim Focus projeta uma Selic de 13,25% ao final de 2026. Alcançar essa meta implicaria uma redução acumulada de 1,25 ponto percentual (p.p.) ao longo das cinco reuniões restantes. Se os cortes forem de 0,25 p.p. a cada encontro, os diretores precisariam realizar ajustes em todas as sessões futuras.
A taxa Selic é a ferramenta fundamental do Banco Central para o controle da inflação. Sua aplicação ocorre nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), servindo como referência para outras taxas econômicas.
Estabilidade financeira sob observação
Galípolo apresentou o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do segundo semestre de 2025, um período marcado pelo início de uma série de liquidações ligadas ao Banco Master. A instituição foi liquidada extrajudicialmente em 18 de novembro de 2025, após investigações sobre a venda de títulos falsos. O proprietário, Daniel Vorcaro, encontra-se preso sob custódia da Polícia Federal (PF).
Destaques do relatório
Apesar dos eventos, o relatório do Banco Central concluiu que as liquidações extrajudiciais das instituições financeiras do conglomerado Banco Master não representaram riscos ao Sistema Financeiro Nacional (SFN). Clientes ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) direcionaram seus recursos, principalmente para instituições financeiras de maior porte e relevância sistêmica, um desfecho esperado em cenários de resolução bancária.
De forma geral, o BC avalia que a estabilidade financeira do país permanece robusta. O sistema financeiro apresenta capitalização e liquidez confortáveis, com provisões adequadas para perdas esperadas. A rentabilidade do SFN manteve-se estável, demonstrando resiliência e capacidade de gerar lucros para fortalecer o capital. Testes de estresse de capital e liquidez confirmaram a solidez do sistema bancário brasileiro.
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