COMUNICAÇÃO DO COPOM
Gabriel Galípolo assume falha na comunicação do Copom e explica decisão
Presidente do Banco Central reconhece responsabilidade pela clareza da última ata e detalha pressões sobre a política monetária.
Nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, assumiu a responsabilidade pela comunicação da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que gerou dúvidas no mercado. A declaração ocorreu durante sua participação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. A questão central é como a decisão do Copom de manter o ciclo de queda da Selic, mesmo diante da piora das perspectivas para a inflação, foi interpretada pelo mercado.
O Banco Central (BC) informou que optou por manter o ciclo de queda da Selic na semana passada, apesar de as perspectivas para a inflação nos próximos anos terem piorado. Essa comunicação gerou reações negativas na ata do Copom, divulgada na terça-feira, 23 de junho de 2026, que foi interpretada pelo mercado como uma postura menos rigorosa no combate à inflação.
Galípolo atribuiu a falha na transmissão da mensagem a si mesmo, explicando que a decisão do Copom foi de não reagir a eventos incertos, como a guerra no Oriente Médio. "A responsabilidade, se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que a gente queria em um espaço conciso, é absolutamente minha", afirmou. O BC justificou a decisão, citando que as "melhores práticas" recomendam não reagir integralmente a variações de preços provocadas por choques de oferta.
Para Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, o ponto crucial da ata foi a menção de que o balanço de riscos agora apresenta assimetria altista, algo não mencionado anteriormente. Essa mudança foi interpretada como uma tentativa de adotar um tom mais duro, embora a ata também contenha elementos que apontam na direção oposta. "Apesar de as projeções do Banco Central permanecerem acima da meta, o Comitê julgou mais adequado considerar trajetórias de juros que evitassem maior volatilidade", explicou o especialista.
Em outras palavras, o BC avaliou que interromper o ciclo de cortes da Selic neste momento poderia levar a um aumento excessivo dos juros, impactando negativamente a economia e o controle inflacionário a longo prazo. Galípolo reconheceu a dificuldade de comunicar decisões complexas em espaços concisos: "É um caso particular de uma incompreensão, um ruído que foi gerado a partir daquele parágrafo [...] que decorre da tentativa de explicar uma série de coisas em um espaço muito apertado e conciso do próprio comunicado". Ele também destacou que a função do Banco Central não é criar consenso entre as opiniões do mercado.
Os dois lados da moeda
Em entrevista sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre, Galípolo detalhou as duas principais pressões que o Banco Central enfrenta: o desgaste causado pelo nível elevado dos juros e a demanda por sinalizações sobre os próximos passos da política monetária. Ele apontou que críticas ao patamar da Selic, que permanece significativamente alto, são esperadas por setores da economia e da política. "Existe uma primeira ordem de crítica que vem de setores da economia, da sociedade e da política, inerente ao fato de convivermos há tanto tempo com uma taxa de juros algumas centenas de pontos-base acima da taxa neutra", explicou.
A segunda fonte de pressão é a busca do mercado por maior previsibilidade. Galípolo reconheceu que, em momentos de incerteza, é natural o desejo por guidance (sinalização), mas ressaltou que essa prática não é recomendada pela literatura ou adotada por outros bancos centrais. Antecipar as decisões futuras, segundo ele, pode reduzir a eficácia da política de juros. Ele defendeu uma comunicação mais clara, sem confundi-la com a antecipação de decisões. "O Banco Central vai preservar o seu direito de não dar essa informação quando achar que não interessa divulgá-la antecipadamente. Não porque estamos escondendo o que vamos fazer, mas porque essa decisão será tomada daqui a 40 dias, na próxima reunião", concluiu.
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