CÚPULA DO G7

G7 adere parcialmente a documentos sobre minerais e economia; Brasil assina sobre proteção de menores

Representantes em reunião de cúpula do G7 discutindo documentos.
Cúpula do G7 em Évian encerra com declarações sobre economia global e segurança de minerais.

O Brasil endossou o documento sobre proteção de menores no ambiente digital, mas divergiu em temas como minerais críticos e crescimento econômico, alegando preocupações geopolíticas e extrativistas. A cúpula em Évian encerrou-se com oito documentos temáticos.

O Grupo dos Sete (G7) divulgou, nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, os últimos três documentos elaborados durante a cúpula em Évian. As declarações tratam da proteção de menores no ambiente digital, da segurança nas cadeias de fornecimento de minerais críticos e do fomento ao crescimento econômico equilibrado. Assim como observado desde o dia 16 de junho, o Brasil manifestou adesão parcial aos compromissos. O país endossou a declaração sobre menores, mas optou por não assinar os outros dois documentos. A declaração sobre minerais críticos, que conta com a Austrália como única nação parceira signatária, propõe a redução da dependência de fornecedores externos ao G7 em até 60% para terras raras e ímãs permanentes até 2030. O texto também institui a "Aliança de Resiliência e Produção de Minerais Críticos" entre os membros do grupo. A decisão brasileira de não aderir segue um padrão identificado pelo governo, que interpreta o documento como possuindo um caráter extrativista e geopolítico. A leitura em Brasília é que o texto visa formar uma coalizão ocidental sem considerar plenamente o direito dos países produtores de agregar valor às suas próprias cadeias produtivas. Em relação à declaração sobre crescimento equilibrado, assinada em conjunto por Egito, Quênia e Coreia do Sul, o documento aborda desequilíbrios macroeconômicos globais e a necessidade de países com superávits externos persistentes impulsionarem a demanda interna. A declaração também reconhece a urgência de reabrir o estreito de Hormuz "sem qualquer tipo de cobrança". O Brasil não assinou este documento, pois a avaliação de Brasília é que ele atribui os desequilíbrios globais primariamente à China, omitindo os impactos do unilateralismo comercial e de conflitos internacionais nas cadeias produtivas. A única declaração com adesão integral do Brasil, além do Egito, Índia, Quênia e Coreia do Sul, foi a sobre proteção de menores no ambiente digital. O texto exige que provedores de serviços digitais implementem configurações seguras por padrão, mecanismos de verificação de idade e controles parentais. Uma atenção especial é dada aos riscos associados ao uso de ferramentas de inteligência artificial conversacional por crianças e adolescentes. A declaração reitera o compromisso em proibir a geração e distribuição de material de abuso sexual infantil, incluindo deepfakes. O aval brasileiro era esperado, dado o interesse do país em compartilhar sua experiência regulatória neste tema, com base em legislação própria. Com a divulgação dos documentos desta quarta-feira, a cúpula de Évian encerra suas atividades com um total de oito documentos temáticos. Adicionalmente, houve a negociação de um documento sobre riscos geopolíticos, restrito aos membros permanentes do G7. O Brasil aderiu a três dos oito documentos: sobre câncer, narcotráfico e proteção de menores. O país não aderiu a cinco outros temas: parcerias internacionais para o desenvolvimento, combate ao ebola, tráfico de migrantes, minerais críticos e crescimento equilibrado. Segundo o governo brasileiro, o padrão de divergência não foi aleatório. Em ao menos três dos documentos não assinados — parcerias internacionais, ebola e crescimento equilibrado — a principal queixa de Brasília é a ausência de discussões sobre temas como mudança climática, dívida externa e o papel da Organização Mundial da Saúde. O país argumenta que esses tópicos foram evitados para não contrariar os Estados Unidos, que cortaram financiamento à OMS e têm adotado posições contrárias à agenda climática em fóruns multilaterais.

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