ALTO RISCO PCC
"Fuminho", número 2 do PCC, é internado sob esquema de guerra em Brasília
Cirurgia eletiva do aliado de Marcola exige mobilização de 200 policiais e mantém área do DF isolada nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026.
Uma vasta operação de segurança tomou conta de Brasília neste domingo, 17 de maio de 2026, para a transferência de Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como "Fuminho", braço direito de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, para um hospital particular. A medida, planejada para uma cirurgia eletiva por problema de saúde, expõe a complexidade e os desafios que as forças de segurança enfrentam ao lidar com uma das figuras mais influentes do tráfico internacional de drogas do PCC (Primeiro Comando da Capital), gerando grande mobilização e impacto na rotina da capital federal nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026.
Gilberto Aparecido dos Santos, que atualmente cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília, necessitou da transferência para uma cirurgia classificada como necessária e eletiva. A CNN Brasil apurou que ele permanece hospitalizado, e a região central de Brasília, onde o hospital está localizado, segue sob isolamento. A operação de transporte de "Fuminho", realizada durante a tarde do domingo, 17 de maio de 2026, envolveu a mobilização de ao menos 200 policiais, evidenciando a criticidade da ação.
As autoridades apontam "Fuminho" como o principal aliado de Marcola, o líder máximo do PCC, no tráfico internacional de entorpecentes. Sua posição na hierarquia da facção o coloca como o número 2, ressaltando sua importância estratégica para a organização criminosa.
A trajetória de Gilberto Aparecido dos Santos é marcada por uma fuga espetacular da Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru, em 1999. Permaneceu foragido por duas décadas, sendo recapturado apenas em 2020. A prisão ocorreu em Moçambique, no continente africano, em uma operação conjunta da Polícia Federal brasileira, policiais moçambicanos, agentes do DEA (Drug Enforcement Administration) – a agência antidrogas americana –, Itamaraty e o Departamento de Justiça americano. Na época, "Fuminho" estava na lista de procurados do Ministério da Justiça do Brasil e não ofereceu resistência ao ser abordado em um condomínio de luxo.
Investigações subsequentes, como as da Operação Mafiusi, que atuou no Brasil e na Itália para combater o tráfico internacional de drogas, revelaram planos audaciosos do PCC. A organização criminosa chegou a montar uma operação avaliada em US$ 2 milhões com o objetivo de resgatar "Fuminho" da cadeia em Maputo, capital de Moçambique, demonstrando o valor estratégico que o traficante representa para a facção.
Condenado a 26 anos de prisão em regime inicial fechado, "Fuminho" tem buscado meios para obter descontos em suas penas. Ele participou de uma série de atividades educacionais e profissionalizantes, como leituras e resenhas de livros, aulas de inglês e cursos profissionalizantes, além de concluir o ensino fundamental.
O elo entre "Fuminho" e Marcola é antigo e profundo, marcado por planos audaciosos. Investigações indicaram que "Fuminho" recebeu cerca de R$ 200 milhões do PCC para resgatar Marcola da Penitenciária Federal de Brasília. Marcola está preso na capital federal desde 2019, quando foi transferido da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.
Em 2019, o Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPSP (Ministério Público de São Paulo) desvendou um plano para resgatar Marcola e outros 21 líderes do PCC, detidos nas penitenciárias de Presidente Venceslau e Presidente Bernardes. Pouco depois, em março de 2019, atendendo a um pedido do promotor Lincoln Gakiya, Marcola e os demais líderes foram transferidos para presídios federais em Brasília e Porto Velho, desmantelando a tentativa de resgate.
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