CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO

Fotografia feita há 17 anos inspira a campanha Sinfonia da Energia

Pássaros pousados sobre fios de alta tensão formando uma partitura musical.
Campanha Sinfonia da Energia transformou a disposição de pássaros em fios em uma partitura musical premiada mundialmente.

Uma imagem cotidiana, registrada por Paulo Pinto em agosto de 2009, evoluiu de uma simples foto de pássaros para um Leão de Ouro no Festival Internacional de Criatividade de Cannes.

A campanha Sinfonia da Energia, inspirada em uma fotografia de pássaros pousados em fios elétricos, conquistou o Leão de Ouro no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, conforme anunciado aos envolvidos nesta segunda-feira, 13/07/2026. A distinção, uma das mais prestigiadas do setor publicitário global, reconhece a capacidade do projeto em unir arte e impacto social ao retratar a convivência entre a fauna e a infraestrutura urbana.

A gênese do projeto remonta a agosto de 2009, quando o fotojornalista Paulo Pinto, durante férias em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, capturou pássaros alinhados sobre fios de energia. A imagem, que inicialmente serviu como um registro simples do cotidiano, despertou a sensibilidade do músico e publicitário Jarbas Agnelli, que visualizou na disposição das aves uma pauta musical. O resultado foi a composição Birds on the Wires, um fenômeno viral que alcançou projeção internacional.

Em 2024, a visão foi ampliada. Sob a coordenação da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), a iniciativa transformou-se na Sinfonia da Energia. O projeto compilou cerca de 60 fotografias, incluindo novos registros de Paulo Pinto em sua cidade natal, para criar uma sinfonia que harmoniza notas musicais com a observação da natureza. A campanha foi celebrada em Cannes por sua excelência técnica e inovação.

Para o fotógrafo, o reconhecimento transcende a categoria técnica. Ao revisitar Santana do Livramento após o falecimento de sua mãe e do vizinho que originalmente alimentava as aves, o profissional reflete sobre o legado da obra: "Quando voltei, não havia mais os passarinhos nos fios. Foi aí que entendi que eles tinham ido para o mundo. Aqueles pássaros saíram dali e viajaram pelo planeta por meio da fotografia e da música".

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