ESPÉCIE EXÓTICA INVASORA

Força-tarefa monitora avistamentos de rã-touro em Florianópolis

Imagem da rã-touro, espécie invasora que está sendo monitorada pela Floram em Florianópolis.
Rã-touro voltou a ser encontrada em Florianópolis — Foto: Morgana Fernandes/NSC TV

A Fundação Municipal do Meio Ambiente intensifica o rastreio da rã-touro no Norte da ilha após novos relatos de moradores sobre a presença do animal.

A Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) confirmou nesta segunda-feira, 13/07/2026, o monitoramento de dois novos relatos sobre a presença da rã-touro (Aquarana catesbeiana) em Florianópolis. A iniciativa foi deflagrada pelo Departamento de Unidades de Conservação (DEPUC) após o recebimento de registros no bairro Ratones, situado no Norte da capital, com o objetivo de conter a dispersão desta espécie exótica invasora que ameaça o equilíbrio da fauna local.

O anfíbio, conhecido por emitir um som peculiar que remete ao mugido de um boi, é classificado como uma das espécies mais preocupantes para a biodiversidade global. A presença da rã-touro em Santa Catarina exige atenção constante, visto que a espécie está inserida na Categoria 1, o nível mais elevado de alerta no estado.

Paulo Cristhiano Anchieta Garcia, chefe do departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica que o som característico é um comportamento reprodutivo dos machos. 'É justamente esse sinal sonoro que possibilita aos pesquisadores localizar a espécie na natureza. O animal chegou ao Brasil na década de 1930 para a produção de carne, mas fugiu de cativeiros e hoje representa um desafio para o ecossistema', detalha o especialista.

O impacto ambiental é severo. Embora não ofereça perigo direto aos seres humanos, o porte da rã-touro — que pode atingir até 1,5 quilos e 20 centímetros — transforma o animal em um predador voraz. Sua dieta inclui insetos, pequenos répteis, peixes e aves, o que compromete a cadeia alimentar nativa.

Além da predação, a espécie é um vetor de patógenos. Estudos realizados pelo Laboratório de Ecologia de Anfíbios e Répteis indicam que a rã-touro pode transmitir o fungo quitrídeo e o ranavírus, enfermidades que colocam em risco a saúde de populações de anfíbios e peixes locais. Os animais capturados passam por rigorosas testagens sanitárias para verificar a carga viral.

A Floram, em parceria com a UFSC, reforça a importância da colaboração comunitária. A recomendação oficial é que a população não tente realizar o manejo ou a captura dos espécimes. Qualquer avistamento deve ser reportado imediatamente à fundação através do e-mail [email protected] ou pelo canal de WhatsApp (48) 3237-5660.

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