NEGOCIAÇÕES COM OS EUA

Flávio Bolsonaro participa de audiência nos EUA para debater tarifas sobre produtos brasileiros

Senador Flávio Bolsonaro discursando em uma audiência nos Estados Unidos.
Senador Flávio Bolsonaro em audiência nos Estados Unidos. (Crédito: Reprodução/Redes Sociais)

Senador Flávio Bolsonaro (PL) defende resolução negociada e aponta que tarifas propostas podem beneficiar o governo Lula na corrida eleitoral. Audiência do USTR discute taxação de 25% sobre importações.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) participou, nesta terça-feira, 07/07/2026, da segunda sessão da audiência promovida pelo governo dos Estados Unidos para debater uma nova taxa de importação sobre produtos brasileiros. A iniciativa, que pode afetar significativamente a economia do país, busca uma “resolução construtiva e negociada” das questões identificadas na investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Ao se inscrever para depor, Flávio Bolsonaro argumentou que as tarifas propostas, na ordem de 25%, podem ter o efeito oposto ao desejado, beneficiando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida eleitoral. Segundo ele, a oposição seria “a principal vítima interna” do tarifaço, conferindo uma “vitória política” ao atual mandatário.

A audiência, realizada entre 06/07 e 07/07/2026, é parte do processo conduzido pelo USTR. A investigação, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, acusa o Brasil de práticas comerciais consideradas desleais e que justificariam a taxação. Ao todo, cerca de 81 pessoas, entre membros da sociedade civil, empresas e associações, foram inscritas para apresentar seus argumentos.

Investigação do USTR e Práticas Questionadas

Flávio Bolsonaro encaminhou um documento ao órgão norte-americano onde aborda os seis pontos apresentados pelo USTR para justificar a investigação. Estes incluem comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, supostas tarifas preferenciais, falhas no combate à corrupção, críticas à proteção da propriedade intelectual, restrições ao acesso ao mercado de etanol e alegações de promoção e falta de repressão ao desmatamento ilegal.

Propostas e Impacto Eleitoral

O parlamentar, que é pré-candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL), defende que o Brasil busque negociar diretamente com os EUA, livre das “amarras do Mercosul”. Propõe também a redução da carga regulatória e tributária sobre empresas de cartão de crédito e outros meios de pagamento privados, como uma forma de responder às acusações sobre o Pix.

Em vez de pedir a suspensão ou impedimento das taxas, Flávio Bolsonaro sugere que o USTR adie a implementação por 180 dias e busque um mecanismo bilateral para negociação. Interlocutores do Planalto e do Itamaraty veem a participação do senador na sessão como uma estratégia eleitoral para mitigar o desgaste causado pela eminência da taxação, associando-o, juntamente com o irmão Eduardo Bolsonaro, às medidas contra o Brasil. Pesquisas recentes indicam que 42% dos entrevistados culpam Flávio Bolsonaro pela sugestão do novo tarifaço.

O senador argumenta que as tarifas propostas entregariam ao governo brasileiro uma vitória política significativa, prejudicando a economia americana e os próprios brasileiros que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos.

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