DISPUTA SIMBÓLICA

Flávio Bolsonaro e Lula disputam o simbolismo da camisa da Seleção durante a Copa

Montagem comparando o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula.
Senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: Montagem/G1/Reprodução)

Senador Flávio Bolsonaro (PL) convocou apoiadores a vestirem sua camiseta, enquanto presidente Lula (PT) defende as cores nacionais para a esquerda.

A disputa pela representação das cores nacionais ganha contornos acirrados com a proximidade da Copa do Mundo. Em vídeo divulgado na quinta-feira, 11 de junho de 2026, durante agenda de pré-campanha no Pará, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), incitou seus apoiadores a vestirem a "camisa do Bolsonaro" para torcerem pela Seleção brasileira.

"A Copa do Mundo começa hoje. E a gente vai torcer pro Brasil. A gente vai botar a camisa do Bolsonaro que vocês estão vestindo aí", declarou o senador, referindo-se a apoiadores que ostentavam a camiseta verde e amarela.

A fala de Flávio Bolsonaro ocorre em um contexto de intensa polarização ideológica sobre o uso da camisa da Seleção, que nos últimos anos se tornou um símbolo associado a manifestações do campo bolsonarista. O presidente Lula (PT), por sua vez, manifestou o desejo de que a esquerda abrace as cores nacionais durante o evento esportivo. "A esquerda terá que andar de verde e amarelo" durante a Copa "para não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas por nenhum fascista", afirmou o presidente no Rio de Janeiro no fim de semana.

Nas redes sociais, Lula já havia postado uma foto vestindo a camiseta da Seleção e um shorts azul, em defesa da soberania nacional com o lema "o Brasil é dos brasileiros". Essa temática tem sido utilizada pelo governo para contrapor medidas dos Estados Unidos, em meio a acusações de que Flávio Bolsonaro e o irmão, Eduardo, atuaram junto ao governo Trump para prejudicar o país.

Em seu discurso no Pará, o senador associou a bandeira brasileira à direita, criticando o governo petista. "O Lula é tão ladrão que até a bandeira ele quer roubar. O PT largou a bandeira do Brasil na lata do lixo. O Bolsonaro foi lá, pegou essa bandeira e levantou com orgulho, porque a gente é brasileiro", declarou. Ele também expressou preocupação com a segurança, sugerindo que brasileiros assistiriam aos jogos do mundial em casa por medo da violência.

Segundo o cientista político Murilo Medeiros, a estratégia de Flávio Bolsonaro visa manter a base eleitoral mobilizada e reforçar a ideia de continuidade do legado do ex-presidente, defendendo valores conservadores e patrióticos. "A Copa do Mundo potencializa essa discussão porque o futebol é um instrumento capaz de unir diferentes segmentos da sociedade em torno de uma identidade comum. Eleitoralmente, nenhum dos dois campos políticos quer abrir mão do simbolismo de vincular-se à camisa da seleção brasileira", avalia Medeiros.

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