MALÁRIA RESISTENTE
Fiocruz patenteia método crucial contra malária no USPTO
Composto DAQ atua contra cepas graves e resistentes. Patente concedida em março de 2026, válida até 2041, abre caminho para nova esperança.
Em um avanço científico crucial para a saúde global, o USPTO (United States Patent and Trademark Office) concedeu, em março de 2026, a patente a um método de tratamento inovador desenvolvido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Este novo método utiliza o composto DAQ, que demonstrou alta eficácia contra as cepas resistentes da malária, oferecendo uma promissora esperança para milhões de pessoas em regiões endêmicas, onde a doença continua a causar grande sofrimento e mortes, e a resistência aos medicamentos atuais se agrava.
O composto DAQ não é totalmente inédito; sua atividade antimalárica já havia sido descrita na década de 1960. Contudo, a equipe da Fiocruz, liderada pela pesquisadora Antoniana Krettli, retomou esses estudos com as mais recentes abordagens da química e da biologia molecular. Wilian Cortopassi, pesquisador colaborador da instituição, explica que "essa molécula já tinha sido descrita como promissora, mas acabou sendo deixada de lado. O nosso grupo retomou esse estudo e mostrou um mecanismo único de superar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita, ao identificar uma característica estrutural decisiva: a presença de uma ligação tripla na cadeia química".
O DAQ age de maneira similar à cloroquina, interrompendo um processo vital para a sobrevivência do parasita. Enquanto o microrganismo digere a hemoglobina humana, ele gera substâncias tóxicas que normalmente consegue neutralizar. O DAQ bloqueia esse mecanismo de defesa, levando à sua morte. Os estudos validaram uma ação rápida do composto nas fases iniciais da infecção e comprovaram sua eficácia contra cepas sensíveis e resistentes do Plasmodium falciparum. Além disso, foram observados resultados promissores contra o Plasmodium vivax, que responde pela maioria dos casos de malária no Brasil.
Um aspecto vital ressaltado pelos pesquisadores é o baixo custo potencial da molécula, um fator estratégico para países de baixa e média renda, onde a malária persiste como uma epidemia. A pesquisa contou com a valiosa colaboração de instituições renomadas como a UCSF (University of California San Francisco), a UFAL (Universidade Federal de Alagoas) e a PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), com novos estudos em andamento em parceria com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Apesar dos resultados animadores, a transformação do DAQ em um medicamento acessível ainda depende de etapas cruciais, como a realização de testes de toxicidade, a definição de doses seguras e eficazes, e o desenvolvimento da formulação farmacêutica ideal. A patente, concedida em março de 2026, tem validade assegurada até 5 de setembro de 2041. Para Antoniana Krettli, a própria infraestrutura da Fiocruz pode acelerar o caminho para o tratamento. "A instituição tem forte atuação na Amazônia, com diagnóstico e acompanhamento de pacientes, além de experiência em testes clínicos. Isso facilita parcerias e o avanço de novos medicamentos", ela comenta.
Os especialistas alertam que, embora existam tratamentos eficazes atualmente, o parasita da malária está em constante evolução, desenvolvendo novas resistências. Por essa razão, o desenvolvimento contínuo de novas alternativas terapêuticas é indispensável para evitar uma futura escassez de medicamentos capazes de combater a doença de forma eficaz.
Este texto foi originalmente publicado pela Agência Brasil, em 7 de maio de 2026, às 20h51. O conteúdo é livre para republicação, com citação da fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.
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