INDÚSTRIA NACIONAL EM ALERTA
Fiesp critica governo federal por cotas de importação de veículos elétricos
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) alega que decisão do Gecex prejudica o setor e viola segurança jurídica após investimentos em produção local.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou profunda preocupação com a recente decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) de instituir novas cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados nos formatos CKD (completamente desmontados) e SKD (semidesmontados). A medida, aprovada nesta quarta-feira, 24/06/2026, entra em conflito com a previsibilidade regulatória que as indústrias instaladas no Brasil esperavam.
A Fiesp argumenta que a criação dessas cotas contraria decisões anteriores do próprio Gecex, que haviam descontinuado esse tipo de benefício. Para a entidade, a alteração súbita das regras afeta diretamente a confiança e a segurança jurídica dos empresários que investiram na produção nacional de veículos eletrificados, um setor estratégico para o futuro da mobilidade e da economia brasileira.
O impacto na dignidade da indústria nacional e na geração de empregos é um ponto central na crítica da Fiesp. A entidade alega que a decisão federal "sabota a previsibilidade regulatória e penaliza toda a cadeia automotiva brasileira". O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ressaltou que a medida, ao "alterar de surpresa as regras do jogo", compromete os esforços de montadoras em expandir a produção local e pode desestimular novos investimentos, afetando a competitividade e o desenvolvimento tecnológico do setor no país.
Paralelamente, o Gecex manteve o cronograma de aumento das tarifas de importação para veículos elétricos e híbridos. A partir de julho de 2026, a alíquota para veículos eletrificados montados e SKD subirá para 35%. Já a tarifa para veículos CKD aumentará de 14% para 35% em janeiro de 2027. A proposta de cotas adicionais com alíquota zero para eletrificados, no entanto, vigorará por seis meses a partir de julho de 2027, com o mesmo patamar de US$ 463 milhões que existia até janeiro de 2026.
A Fiesp vê a nova política como um retrocesso, especialmente em um momento em que o Brasil busca consolidar sua força na produção de veículos de novas tecnologias. A entidade defende que a manutenção das tarifas e a previsibilidade regulatória são essenciais para fortalecer a indústria local, garantir a geração de empregos qualificados e impulsionar o desenvolvimento sustentável da cadeia automotiva brasileira.
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