ECONOMIA EM ALTA
Fiern e CNI revelam: Produção industrial do RN dispara em março
Indicador atinge 60,6 pontos, maior patamar para o mês desde 2010. Fim de 5 meses de retração.
A economia potiguar respira com sinais de recuperação. A produção industrial do Rio Grande do Norte registrou um notável crescimento em março de 2026, interrompendo uma sequência de cinco meses de retração. Este avanço, revelado pela Sondagem das Indústrias Extrativas e de Transformação, estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), não apenas quebrou um ciclo de queda, mas também atingiu o maior patamar para o mês de março desde o início da série histórica em 2010. Este desempenho positivo impacta diretamente a confiança e as perspectivas de milhares de trabalhadores e empresários do estado, sinalizando um horizonte mais promissor.
O indicador de produção, que alcançou 60,6 pontos, mostra a força dessa recuperação. Além disso, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) subiu oito pontos percentuais, atingindo 78% – um aumento que reflete maior atividade nas fábricas e otimismo no setor. Apesar do cenário promissor na produção, o nível de emprego no setor permaneceu estável em 50 pontos. Embora indique cautela na geração de novas vagas, este dado vem após uma queda no levantamento anterior, sugerindo uma estabilização. A pesquisa aponta também para uma redução nos estoques de produtos finais, que ficaram abaixo do nível planejado pela indústria (47,9 pontos na comparação mensal e 41,7 em relação ao planejado), indicando um ajuste eficiente entre a produção e a demanda do mercado.
No primeiro trimestre do ano, os empresários relataram menor insatisfação com as margens de lucro, embora ainda abaixo da linha de equilíbrio, e uma persistente dificuldade de acesso ao crédito. Ao mesmo tempo, o custo das matérias-primas continuou em alta, com uma aceleração no ritmo de aumento dos preços, pressionando os custos operacionais. Mesmo diante desses desafios, a avaliação geral sobre a situação financeira das empresas do Rio Grande do Norte permaneceu positiva, o que demonstra resiliência e capacidade de adaptação.
Entre os principais entraves que ainda preocupam o setor industrial potiguar, foram apontados a competição desleal – que inclui informalidade e contrabando, comprometendo a competitividade –, o alto custo ou a escassez de mão de obra qualificada, a carga tributária elevada que pesa sobre as empresas, os gargalos logísticos que dificultam o escoamento e recebimento de produtos, e o nível das taxas de juros, que seguem pressionando a atividade e os investimentos.
Para os próximos seis meses, as expectativas são majoritariamente positivas, um reflexo do otimismo renovado. Os empresários projetam crescimento da demanda, das compras de insumos e do nível de emprego, sinalizando confiança na continuidade do aquecimento da economia local. No entanto, indicam um recuo nas exportações. A intenção de investimento, por sua vez, apresentou uma leve queda, passando de 71,8 para 70,7 pontos, o que pode ser um sinal de cautela estratégica após o período de retração.
O levantamento também revela diferenças importantes no desempenho entre os portes das empresas. Enquanto pequenas indústrias relatam maior dificuldade financeira e perspectivas mais cautelosas, com expectativa de queda no emprego e nas compras, as médias e grandes empresas demonstram um maior otimismo, projetando expansão da demanda, novas contratações e investimentos, o que indica uma recuperação desigual no setor.
Na comparação com o cenário nacional, os resultados do Rio Grande do Norte convergem em grande parte, mas com diferenças relevantes que destacam as particularidades da economia local. No Brasil, a indústria ainda registrou uma leve queda no emprego em março e maior insatisfação financeira no trimestre. Além disso, as expectativas nacionais para as exportações nos próximos meses são mais favoráveis, indicando dinâmicas distintas entre o Estado e o conjunto do País.
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