DINÂMICA DE PREÇOS

Feijão e mandioca: como itens tão Brasileiras influenciaram a cesta básica

Venda de mandioca e variedades de feijão em mercado brasileiro
Trabalhadores na colheita e exposição de produtos agrícolas em feira livre — Divulgação

Movimentos opostos na comercialização da raiz e do grão impactam diretamente o orçamento das famílias brasileiras e o planejamento do setor supermercadista.

O comportamento dos preços do feijão e da mandioca tem exercido influência direta no orçamento dos consumidores brasileiros, revelando dinâmicas distintas de oferta e demanda. A análise foi consolidada com base em dados da Abras (Associação Brasileira dos Supermercados) e do Cepea (Centro de Estudos em Economia Aplicada), que monitoram o impacto desses itens essenciais na mesa das famílias.

A mandioca, também conhecida como aipim ou macaxeira, vive um momento de valorização impulsionado pela restrição na oferta. O Cepea aponta que produtores têm demonstrado cautela na comercialização, priorizando a retenção de lavouras de primeiro ciclo à espera de novas altas. Este cenário é agravado pela expectativa de aumento no consumo durante as festas de fim de ano, período em que a indústria intensifica a busca por insumos para recompor estoques.

Em sentido oposto, o mercado de feijão busca a estabilização após um período de forte volatilidade. O feijão-carioca, que registrou valorizações expressivas ao longo de 2026, apresenta agora uma pressão de baixa nas cotações decorrente do avanço da colheita da terceira safra. Contudo, esse recuo encontrou barreiras na reta final de agosto, quando os produtores passaram a restringir as vendas para evitar novas quedas, equilibrando as cotações em patamares mais estáveis.

Para o feijão-preto, o cenário atual é de sustentação. A entressafra e a menor disponibilidade de lotes com qualidade superior têm mantido os preços mais firmes. Para o consumidor, o impacto direto reflete-se na variação da cesta básica, que registrou, por exemplo, um aumento de 0,54% no preço da farinha de trigo em julho, conforme levantamento da Abras, evidenciando como a cadeia de produção responde a oscilações climáticas e logísticas.

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