COMÉRCIO EXTERIOR EM QUEDA

Exportações brasileiras para EUA e Argentina recuam no 1º semestre de 2026

Vista aérea de um terminal de contêineres no Porto de Paranaguá, com navios e guindastes.
Terminal de contêineres no Porto de Paranaguá, no Paraná. (Foto: Poder360)

Vendas para norte-americanos caíram 13% e para argentinos, 19,4% no acumulado até junho. Petróleo sustentou resultado de junho e projeção de superávit foi elevada.

As exportações brasileiras apresentaram um desempenho misto no primeiro semestre de 2026. Vendas para os Estados Unidos recuaram 13% e para a Argentina, 19,4%, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 03/07/2026, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Apesar dessas quedas, o Brasil alcançou um superávit comercial de US$ 42,4 bilhões até junho, impulsionado pelo aumento expressivo das exportações para a China e pela valorização das vendas de petróleo bruto.

Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior da Secex, explicou que o crescimento de quase 22% nas exportações para a China e o avanço de 12,8% para a União Europeia indicam uma recomposição do comércio exterior brasileiro. A redução nas vendas para os Estados Unidos, segundo Brandão, deve-se à alta base de comparação do ano anterior, quando o primeiro semestre de 2025 foi marcado por um crescimento expressivo antes do aumento de tarifas imposto pelos EUA. Já a diminuição das exportações para a Argentina reflete uma menor demanda do país vizinho por produtos nacionais.

Em junho de 2026, na contramão do acumulado semestral, as exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram um crescimento de 3,7% em relação ao mesmo mês de 2025. Esse avanço foi fortemente influenciado pelo petróleo bruto, cujas vendas saltaram 89%, seguido por óleos combustíveis com alta de quase 300%. Aeronaves também apresentaram um incremento de 60,9%, e a carne bovina registrou um aumento de 89,2%.

Brandão atribuiu o desempenho de junho à alta dos preços internacionais do petróleo, com o pico do Brent em maio impactando as cotações das exportações brasileiras. Além do efeito dos preços, houve também um crescimento no volume exportado de petróleo. Os dados da Secex revelam que o Brasil exportou US$ 184,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, um aumento de 11,5% em relação a 2025. As importações totalizaram US$ 142,4 bilhões, com elevação de 5,1%, resultando no superávit de US$ 42,4 bilhões.

Diante desse cenário, o Mdic elevou a projeção para o superávit da balança comercial em 2026. A estimativa de superávit passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões, e a previsão de exportações subiu de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões.

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