VALORES MILITARES VIOLADOS
Exército de Israel pune soldados por profanação de imagem religiosa no Líbano
Detenções de 21 e 14 dias foram aplicadas após incidente com estátua da Virgem Maria.
O Exército de Israel aplicou penas de prisão militar a dois de seus soldados nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, após a divulgação de uma imagem que mostrava um deles profanando uma estátua da Virgem Maria no sul do Líbano. A decisão impôs 21 dias de detenção ao soldado flagrado colocando um cigarro na boca da imagem e 14 dias ao responsável pela fotografia.
Este ato, ocorrido há algumas semanas e amplamente viralizado nas redes sociais, gerou profunda indignação. O retrato mostrava o militar abraçando a estátua enquanto segurava o cigarro próximo à boca da imagem religiosa, um comportamento que a porta-voz do Exército israelense, Tenente-Coronel Ariella Mazor, descreveu como "contrário completamente aos valores esperados" das Forças Armadas, afirmando que o caso foi tratado "com máxima gravidade".
A punição sublinha o compromisso institucional de coibir violações de respeito religioso e conduta militar. Este incidente reforça a preocupação com a dignidade dos símbolos sagrados em meio ao conflito na região e os desafios éticos enfrentados pelas tropas em territórios ocupados.
Israel mantém uma ofensiva contra o Hezbollah no sul do Líbano desde a escalada da guerra no Oriente Médio. Atualmente, o Exército israelense ocupa militarmente parte do território vizinho, controlando uma faixa de cerca de 10 km ao longo da fronteira.
Este não é um incidente isolado. Nas últimas semanas, militares israelenses foram alvo de críticas por outros ataques a símbolos cristãos na região. Em abril, por exemplo, dois soldados receberam 30 dias de detenção e foram afastados de funções de combate após destruírem uma estátua de Jesus Cristo na cidade de Debl.
Naquela ocasião, imagens divulgadas na internet mostravam um militar golpeando com uma marreta a cabeça de uma estátua de Jesus crucificado. À época, Mazor reiterou que as Forças Armadas israelenses "respeitam a liberdade religiosa, os locais sagrados e os símbolos de todas as religiões", uma declaração que agora ganha novo peso diante do recente episódio.
A presença israelense no Líbano também é marcada por expansão territorial. No mês passado, o Exército israelense publicou um mapa de sua nova linha de posicionamento dentro do Líbano, colocando dezenas de vilarejos libaneses, em sua maioria abandonados, sob seu controle.
Estendendo-se de leste a oeste, a linha de posicionamento avança de cinco a dez quilômetros para dentro do território libanês a partir da fronteira. Israel afirma que seu objetivo é criar uma "zona de segurança" para proteger cidades do norte do país contra ataques do Hezbollah, uma estratégia que levanta comparações com as ações na Faixa de Gaza, onde organizações acusam Israel de expandir sua zona de controle militarmente.
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