CÂNCER E COGNIÇÃO

Exercícios físicos comprovadamente minimizam o "chemobrain" durante quimioterapia, aponta estudo

Pessoa praticando caminhada ao ar livre, com foco em saúde e bem-estar.
Pacientes em tratamento oncológico podem se beneficiar de rotinas de exercícios físicos para mitigar os efeitos cognitivos da quimioterapia.

Pesquisa em Rochester sugere que atividade física regular, como caminhadas e exercícios de resistência, atenua os efeitos da "névoa cerebral" em pacientes oncológicos.

Um estudo conduzido pela Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, e divulgado pelo Journal of the National Comprehensive Cancer Network, revela que a prática regular de exercícios físicos pode significativamente reduzir o impacto cognitivo da quimioterapia. A pesquisa, publicada em 5 de junho de 2026, aborda o "chemobrain", conhecido popularmente como "névoa cerebral", um conjunto de sintomas que afetam a memória, a atenção e a velocidade de raciocínio de pacientes em tratamento oncológico. Estima-se que 75% dos pacientes em quimioterapia experienciem esses sintomas, que incluem lentidão no raciocínio, esquecimento frequente e dificuldade em realizar múltiplas tarefas simultaneamente. Esses efeitos geram um impacto considerável na rotina diária, profissional e social, sendo diagnosticados clinicamente por não possuírem exames de imagem ou laboratoriais específicos. As causas exatas do "chemobrain" ainda são objeto de estudo, mas a principal hipótese envolve um estado inflamatório leve e contínuo no cérebro, desencadeado pela quimioterapia. O oncologista Sergio Simon, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que a relação entre proteínas pró e anti-inflamatórias no organismo pode influenciar esse quadro. "Dependendo da relação entre esses dois grupos de substâncias, os processos metabólicos podem ser inflamatórios, caso do chemobrain, ou anti-inflamatórios, como se vê após a realização de exercícios", afirma Simon. A nova pesquisa comparou 687 voluntários submetidos à quimioterapia. Metade dos participantes realizou a terapia padrão, enquanto a outra metade incorporou uma rotina de exercícios, incluindo caminhadas e movimentos de resistência com elásticos, que poderiam ser feitos em casa. Todos foram avaliados quanto à rapidez de raciocínio e fadiga mental antes e após o experimento, além de exames de sangue para análise inflamatória. Os resultados, após seis semanas, demonstraram que o grupo fisicamente ativo relatou menor declínio cognitivo e fadiga mental. Em média, esses pacientes registraram 5.000 passos diários, enquanto o grupo sedentário reduziu sua atividade pela metade. Atualmente, não existe um tratamento consolidado para o "chemobrain", com abordagens que variam de meditação a jogos eletrônicos, mas sem comprovação científica robusta. Diante disso, intervenções acessíveis como a atividade física ganham destaque. Simon ressalta que a recomendação de exercícios durante o tratamento é uma medida importante para manter o bem-estar e a qualidade de vida. "É importante envolver os familiares nesse processo, para aumentar a chance de aderência ao programa", orienta o médico, sugerindo que o acompanhamento profissional, quando possível, pode otimizar os benefícios. Este texto foi originalmente publicado pela Agência Einstein em 5 de junho de 2026.

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