LITERATURA E RESSOCIALIZAÇÃO
Ex-traficante que escreveu livros na Penitenciária Estadual de Alcaçuz projeta rede de ressocialização no Brasil
Autor de obras com mais de 40 mil exemplares vendidos, Newton Albuquerque Gomes de Andrade busca expandir projeto voltado à transformação de detentos.
Newton Albuquerque Gomes de Andrade, conhecido por sua trajetória de superação após cumprir pena por tráfico de drogas, decidiu expandir sua atuação no sistema carcerário brasileiro com o lançamento de duas novas obras literárias. A iniciativa visa utilizar a escrita como ferramenta de transformação pessoal para indivíduos privados de liberdade, consolidando um trabalho que teve início dentro da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal.
A decisão de focar no público carcerário com o livro "Transformação Individual" foi oficializada pelo autor em 12/07/2026. O objetivo é oferecer uma reflexão direta para quem cumpre pena, incentivando a mudança de rumo através do exemplo de alguém que conhece a realidade do cárcere. O segundo projeto, intitulado "Pequeno Gênio", é uma ficção inspirada na história de superação do ex-capitão da Seleção Brasileira, Cafu.
Newton, que passou 10 anos encarcerado — dividindo o período entre a Penitenciária Estadual de Alcaçuz e o Presídio Federal de Mossoró —, transformou sua escrita manual em um fenômeno editorial. Seu primeiro livro, "A Escolha Errada", lançado em 2019, ultrapassou a marca de 40 mil exemplares vendidos. Para o autor, a escrita não é apenas literatura, mas um instrumento de ressocialização. "Um egresso do sistema escrever um livro voltado para quem está lá dentro, dedicado exclusivamente ao próprio detento, é algo inédito", afirma.
O impacto de sua trajetória foi reconhecido nacionalmente. Em dezembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte recebeu o Prêmio Innovare na categoria Juiz, pelo projeto Escritores do Cárcere, idealizado pelo juiz Fábio Ataíde, que incentivou a produção literária de Newton. Recentemente, ele também assumiu a cadeira de número 38 da Associação Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC), no Rio de Janeiro.
Atualmente em liberdade condicional, Newton segue cumprindo as determinações judiciais da execução penal, com comparecimento periódico à Justiça previsto até 2037. O autor dedica sua nova fase à realização de palestras em escolas e universidades, utilizando seu passado como alerta sobre as consequências do crime e como testemunho de que a educação e a persistência podem reescrever destinos.
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