BANCO MASTER
Ex-chefe de cozinha relata intimidação à Polícia Federal a mando de Daniel Vorcaro
Investigação da PF aponta que ex-funcionário foi abordado por grupo em busca de registros do período em que trabalhou na residência do dono do Banco Master.
Um ex-chefe de cozinha que prestou serviços na residência de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em Angra dos Reis (RJ), relatou em depoimento à Polícia Federal (PF) ter sido alvo de intimidação após seu desligamento. Em 2024, o profissional foi abordado por um grupo que buscava saber se ele possuía registros, como fotografias e vídeos, de seu período de trabalho na casa.
As informações emergiram de documentos da PF que se tornaram públicos nesta terça-feira (16), por decisão do ministro André Mendonça, relator da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o relato, o cozinheiro foi interceptado em seu novo local de trabalho, um hotel também situado em Angra dos Reis, dois meses após a demissão.
“Uma garçonete me chamou e disse que queriam falar comigo. Eu não tinha visto a quantidade de pessoas que estavam me esperando, umas sete. Um rapaz forte se apresentou como Emanuel ou Manuel e disse que tinha ido a mando do seu Daniel para saber se eu tinha alguma coisa dele ou da esposa dele no celular”, declarou o cozinheiro em seu depoimento.
As investigações sugerem que Vorcaro mantinha vínculos com um coletivo conhecido como “A Turma”, supostamente encarregado de intimidar e vigiar adversários. Contudo, o documento não apresentou evidências de que os indivíduos que ameaçaram o ex-funcionário fizessem parte desse grupo específico.
O chef relatou ter negado a posse de quaisquer registros de Daniel Vorcaro ou de sua então esposa, Fabíola de Almeida Macedo Vorcaro. Em seguida, o interlocutor afirmou que Daniel havia ordenado a coleta de seus dados e que não desejava ter que “voltar para atrapalhar”.
O ex-colaborador descreveu a interação como ameaçadora e expressou grande apreensão, especialmente por residir com sua família nas imediações do local da abordagem.
Segundo o documento, ele atuou na residência do banqueiro entre setembro de 2021 e março de 2024. Toda a comunicação com o empregador era mediada por outro funcionário, um mordomo. Os empregados eram instruídos a não produzir registros com seus celulares, embora o uso dos aparelhos não fosse proibido.
“Eles tinham muito medo de a gente tirar foto de alguma coisa, mas onde eu ficava só tinha meus pratos mesmo. Nem tinha tempo para nada. Eu servia o café da manhã às 6h e depois cozinhava todas as refeições até o jantar”, disse.
O cozinheiro mencionou também o conhecimento sobre outro empregado que teria sido igualmente ameaçado pelo ex-patrão. Tratava-se, segundo ele, do ex-comandante de uma das embarcações de Vorcaro, que estaria insatisfeito com as condições laborais.
“O comandante falou para nossa empresa contratante que tinha um monte de filmagens e diário de bordo do que aconteceu no barco e disse que ia mostrar tudo. Foram atrás dele e depois de mim, que era ligado a ele”, consta no depoimento.
As investigações também revelaram que Vorcaro custeou aproximadamente R$ 500 mil em viagens do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para Nova York, Paris e Courchevel, além de diárias em um hotel de luxo em Lisboa para o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara. A PF aponta que, enquanto o parlamentar atuava no Senado em defesa de interesses do ex-banqueiro, Vorcaro retribuía com benefícios financeiros. Atualmente, Vorcaro encontra-se detido em Brasília (DF).
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