LUZ NA CORRUPÇÃO
Ex-BRB busca delação premiada no STF
Paulo Henrique Costa quer revelar detalhes de propina de R$ 140 milhões, exigindo transferência prisional para cooperar com a Justiça.
A defesa do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, solicitou ao ministro do STF André Mendonça a transferência do seu cliente do Complexo Penitenciário da Papuda, buscando viabilizar negociações para um acordo de colaboração premiada. A petição foi protocolada nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, e a medida visa criar condições para que Costa revele informações sobre um suposto esquema de propinas milionárias, com potencial impacto na integridade do sistema financeiro e na confiança pública.
Os advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino, que agora representam Costa, não indicaram uma unidade prisional específica. Contudo, eles enfatizaram que Paulo Henrique tem direito à prisão especial em sala de Estado-Maior, prerrogativa concedida a ele por ser segundo tenente da reserva das Forças Armadas.
No documento apresentado à Justiça, a defesa afirma que seu cliente manifestou interesse em cooperar com as autoridades competentes. A formalização de um acordo, no entanto, depende de sua voluntariedade, de uma avaliação técnica rigorosa das informações que pode oferecer e de uma decisão esclarecida sobre os termos legais que regerão a colaboração.
Paulo Henrique Costa foi detido pela Polícia Federal no dia 16 de abril de 2026, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. As investigações apontam que ele teria negociado propina no valor de R$ 140 milhões em imóveis, com o intuito de favorecer o banqueiro Daniel Vorcaro na captação de aportes do BRB ao Banco Master.
A prisão preventiva do ex-dirigente foi ratificada por unanimidade pela Segunda Turma do STF na semana passada. Após essa decisão, Paulo Henrique substituiu sua equipe jurídica, um movimento que sinalizou sua disposição para firmar um acordo de delação. A informação sobre o pedido de transferência e a intenção de colaborar foi publicada por Fausto Mecedo no Estadão.
A negociação de uma colaboração premiada é um processo complexo e depende fundamentalmente da relevância das informações que o investigado pode oferecer. Este caso envolve sérias suspeitas de irregularidades em operações financeiras entre duas grandes instituições, tornando a potencial delação um instrumento crucial para a elucidação dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.
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