CASA BRANCA EM FOCO

Ex-atleta olímpico David Hearn detido após tocar revestimento solto no espelho d'água do Lincoln Memorial

Espelho d'água do Lincoln Memorial em reforma e após a pintura azul.
Montagem de fotos mostra espelho d'água do Lincoln Memorial, em Washington D.C., nos Estados Unidos, em 12, 16 e 18 de junho de 2026, após reformas na piscina refletora para pintá-la de azul.

David Hearn, ex-canoísta olímpico, alega ter sido algemado e detido por horas sem direito a ligações após um breve toque em revestimento desprendido. O incidente ocorre em meio a controvérsias sobre a reforma milionária do monumento.

O ex-atleta olímpico David Hearn, que representou os Estados Unidos em três edições dos Jogos Olímpicos na canoagem slalom, afirmou ter sido preso pela polícia na sexta-feira, 19 de junho de 2026. Segundo Hearn, a detenção ocorreu após ele ter tocado uma parte do revestimento azul, que estava parcialmente solta, no fundo do espelho d'água do Lincoln Memorial, em Washington D.C.

Hearn relatou à ABC News que apenas tocou na ponta solta do revestimento, que ainda estava presa ao fundo, sem removê-la, danificá-la ou quebrá-la. Apesar de sua alegação de que não causou qualquer dano ao monumento, os agentes teriam iniciado o procedimento de algemá-lo sem informar formalmente as acusações. Ele também declarou que não foi informado sobre seus direitos, permaneceu detido por cinco horas sem poder fazer ligações e só então foi liberado. O ex-atleta deverá comparecer à Justiça americana em julho.

A prisão de Hearn acontece em um momento delicado para o Lincoln Memorial. A reforma do espelho d'água, orçada em US$ 14,65 milhões, tem sido alvo de críticas e polêmicas. Poucos dias após a conclusão das obras, visitantes notaram o descascamento da pintura azul, com partes se soltando e misturando-se à água. O Serviço Nacional de Parques ainda não se pronunciou sobre os pedidos de comentário.

O presidente Donald Trump atribuiu os problemas a casos de vandalismo, sem apresentar provas concretas. Em sua rede social, Trump escreveu que a grama ao redor da piscina também foi danificada e que houve tentativas de sabotar a nova pintura. Ele também insinuou que produtos químicos, semelhantes aos encontrados em outras áreas do National Mall, poderiam ter sido usados para prejudicar a obra.

Tinta começa a descascar em espelho d’água do Lincoln Memorial dias após reforma

A piscina histórica foi reformada por ordem de Trump para as celebrações dos 250 anos da Independência dos EUA, com o objetivo de eliminar o tom esverdeado causado por algas e pintar o fundo de azul. A obra, contratada por US$ 14,7 milhões (cerca de R$ 75,6 milhões) sem licitação, visava também integrar os planos de Trump para a remodelação de Washington D.C.

Funcionários federais tentaram resolver o problema das algas com o uso de produtos químicos, mas agora a tinta azul se solta, expondo o fundo original. A Polícia de Parques confirmou ter prendido uma pessoa na sexta-feira por arrancar tinta da piscina, conforme informado pelo jornal Washington Post. O caso dos números "86 47" gravados na grama do National Mall, investigado como possível ameaça a Trump, também foi mencionado por ele em conexão com os incidentes.

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