FIM DA RESTRIÇÃO
EUA removem proibição de voos supersônicos, abrindo caminho para nova era da aviação comercial
Administração Federal de Aviação (FAA) propõe nova regra baseada em ruído, não em velocidade, permitindo que aeronaves voem acima da velocidade do som sobre território americano. Decisão é marco para o retorno da aviação comercial supersônica.
{"blocks":[{"key":"a1b2c","type":"paragraph","data":{"text":"Os Estados Unidos deram um passo histórico nesta segunda-feira, 06/07/2026, ao apresentar uma proposta de regulamentação que visa encerrar a proibição de voos supersônicos sobre o território nacional, em vigor desde 1973. A Administração Federal de Aviação (FAA) substituiu a antiga restrição, baseada na velocidade, por um novo critério focado no nível de ruído percebido no solo. Essa medida, se aprovada, representa um avanço significativo para a viabilização de uma nova geração de aeronaves comerciais supersônicas, como a Overture, desenvolvida pela Boom Supersonic, e pode redefinir o futuro das viagens aéreas de alta velocidade."}},{"key":"d3e4f","type":"paragraph","data":{"text":"A proposta, anunciada pelo secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, e assinada pelo administrador da FAA, Bryan Bedford, permite que aeronaves ultrapassem Mach 1, desde que o estrondo sônico não seja percebido no solo com intensidade maior do que um trovão distante. Essa atualização regulatória reflete a confiança do governo americano nos avanços tecnológicos, que permitem contornar o impacto acústico que antes motivava a proibição."}},{"key":"g5h6i","type":"image","data":{"file":{"url":"https://agorarn.com.br/files/uploads/2026/07/Overture-830x468.jpg"},"caption":"O Overture, aeronave supersônica em desenvolvimento pela Boom Supersonic.","alt":"EUA avançam para voos supersônicos"}},{"key":"j7k8l","type":"paragraph","data":{"text":"Segundo a FAA, a evolução da engenharia aeroespacial, dos materiais e das técnicas de voo permite explorar o fenômeno chamado Mach cutoff. Essa condição, resultante da combinação entre velocidade, altitude e condições atmosféricas, refrata o estrondo sônico para as camadas superiores da atmosfera antes que ele atinja a superfície. Isso elimina o ruído que historicamente causava reclamações e danos estruturais, especialmente durante os testes realizados nas décadas de 1960 e 1970."}},{"key":"m9n0o","type":"paragraph","data":{"text":"A nova regulamentação aborda especificamente o ruído gerado durante a fase de cruzeiro. A FAA antecipa a apresentação de uma segunda proposta com limites para pousos e decolagens, com a expectativa de concluir todo o processo regulatório até meados de 2027. Essa flexibilização atende a uma demanda antiga da indústria, impulsionando empresas como a Boom Supersonic, que já possui encomendas de grandes companhias aéreas como American Airlines, United Airlines e Japan Airlines para o Overture. A aeronave é projetada para voar a cerca de 2.100 km/h sobre o oceano e, futuramente, sobre o território continental americano."}},{"key":"p1q2r","type":"paragraph","data":{"text":"Um marco para essa mudança foi o teste do demonstrador tecnológico XB-1, em janeiro de 2025. A aeronave rompeu a barreira do som três vezes sem que o estrondo sônico fosse percebido na superfície, resultado que a FAA citou como evidência da viabilidade técnica. Pesquisas da Nasa também subsidiaram a proposta."}},{"key":"s3t4u","type":"paragraph","data":{"text":"O movimento regulatório ganhou força com a Ordem Executiva assinada pelo presidente Donald Trump em junho de 2025, solicitando a revisão da proibição. Paralelamente, a Câmara dos Representantes aprovou um projeto que obriga a agência a estabelecer regras para voos supersônicos sem impacto sonoro perceptível no solo, aguardando apreciação no Senado."}},{"key":"v5w6x","type":"paragraph","data":{"text":"Para Michael Kratsios, diretor do Escritório de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, a revisão das regras possui dimensão estratégica, fortalecendo a indústria aeronáutica americana e sua competitividade tecnológica ao remover barreiras ultrapassadas. Bryan Bedford, administrador da FAA, destacou que a proposta revoga a proibição dos anos 1970, minimizando o impacto sonoro para comunidades próximas a rotas e aeroportos."}},{"key":"y7z8a","type":"paragraph","data":{"text":"Blake Scholl, fundador e CEO da Boom Supersonic, comemorou o avanço, enfatizando que o mundo anseia por viagens supersônicas e que novas tecnologias, combinadas com padrões internacionais, permitirão um retorno sustentável do mercado. A proposta americana alinha-se a mudanças internacionais, como os novos padrões globais de ruído para aeronaves supersônicas aprovados pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) em fevereiro deste ano."}},{"key":"b9c0d","type":"paragraph","data":{"text":"Este debate marca a tentativa de reabrir um segmento praticamente inexistente desde a aposentadoria do Concorde, em outubro de 2003. A restrição americana aos voos supersônicos sobre terra foi um dos fatores que limitaram a expansão comercial desse modelo, impedindo rotas domésticas de alta velocidade nos Estados Unidos, o maior mercado de aviação do mundo."}}]},
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