AUDIÊNCIA ESTRATÉGICA
EUA questionam audiência como PIX pode beneficiar país, dizem especialistas
Tesouro norte-americano busca entender vantagens do sistema de pagamento brasileiro e propõe integração com FedNow. Governo do Brasil defende PIX como inegociável.
O Tesouro dos Estados Unidos indagou especialistas sobre como o país poderia "tirar proveito" do PIX durante uma audiência realizada em 07 de julho de 2026. O questionamento ocorreu no primeiro dia de debates sobre um possível tarifação de 25% contra o Brasil, promovido pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos).
A audiência, dividida em sete sessões, incluiu uma discussão dedicada ao PIX. Os participantes tiveram cinco minutos para apresentar suas exposições e foram submetidos a questionamentos por uma banca de oito técnicos americanos, abrangendo áreas como agricultura e comércio, além do Tesouro.
Na defesa do sistema de pagamento brasileiro, participaram Gustavo Pessoa, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), e Vinícius Nunes, executivo com vasta experiência em pagamentos digitais. Ambos foram consultados sobre como os Estados Unidos poderiam se beneficiar do PIX e quais as vias de cooperação possíveis.
"A lógica deles é: a ferramenta está prejudicando minhas empresas, o que se pode fazer para mudar esse cenário e beneficiar minhas companhias", explicou Pessoa à CNN Brasil, refletindo a perspectiva americana em busca de vantagens comerciais.
Vinícius Nunes, ao ser questionado sobre o mesmo tema, sugeriu uma integração entre o PIX e o FedNow, sistema de pagamentos instantâneos do Federal Reserve. "Defendi especialmente a cooperação entre os bancos centrais do Brasil e dos EUA para aperfeiçoar os sistemas", declarou o executivo.
Os especialistas apresentaram dados indicando que, desde o lançamento do PIX, transações com cartões de crédito, débito e pré-pagos no Brasil continuaram a crescer, não havendo prejuízo evidenciado para os interesses americanos. Ressaltaram ainda que mais de 900 prestadores de serviços de pagamento aderiram ao PIX, e que o Google Pay, uma plataforma americana, tornou-se o principal iniciador de pagamentos no sistema.
Em paralelo, o governo brasileiro reafirmou sua posição de inegociabilidade em relação ao PIX. Em uma reunião recente do grupo de trabalho bilateral, o Brasil apresentou um plano com medidas para contornar as investigações da "seção 301", base da ameaça de tarifas americanas. Contudo, o PIX foi explicitamente excluído do documento apresentado, mantendo-se como um ponto de inflexibilidade.
As propostas brasileiras incluem textos em tramitação no Congresso Nacional e medidas formuladas internamente. Em discussões anteriores, o Brasil sinalizou a possibilidade de reduzir tarifas em cerca de 300 linhas tarifárias, em conformidade com as diretrizes da OMC (Organização Mundial do Comércio), visando setores como máquinas, equipamentos e tecnologia de informação, especialmente aqueles com forte demanda do SUS (Sistema Único de Saúde).
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