GEOPOLÍTICA DA TECNOLOGIA

EUA proíbem importação de robôs chineses em meio à corrida tecnológica global

Robôs humanoides expostos em feira de tecnologia industrial.
Feira da Indústria tem exposição de robôs humanoides

Decisão visa barrar o avanço de equipamentos da Unitree Robotics no mercado americano por receio de espionagem e controle remoto.

Os Estados Unidos oficializaram no fim de julho a proibição da entrada de novos robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior, sob a justificativa de riscos à segurança nacional. A medida, impulsionada pelo governo de Donald Trump, busca frear a rápida expansão da tecnologia chinesa e proteger a soberania de dados do país.

A preocupação das autoridades americanas, capitaneada pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), concentra-se na capacidade desses dispositivos de coletarem informações sensíveis de localização e hábitos pessoais. O temor é que tais dados sejam utilizados por serviços de inteligência estrangeiros ou que os robôs sejam vulneráveis ao controle remoto por agentes mal-intencionados, transformando ferramentas de automação em riscos para infraestruturas críticas.

O cenário de tensão escalou quando a Unitree Robotics, fabricante chinesa, anunciou na segunda-feira (10) sua oferta pública inicial na Bolsa de Valores de Xangai. A empresa, que já integra listas do Pentágono por supostos vínculos com as Forças Armadas da China, é um dos principais alvos da estratégia protecionista dos Estados Unidos.

Enquanto a China domina a produção em massa com preços competitivos — representando 85% do mercado global de robôs humanoides em 2025, segundo dados do Barclays —, os Estados Unidos apostam no desenvolvimento de IA avançada. Para especialistas, como Rush Doshi, do Conselho de Relações Exteriores (CFR), a proibição é um movimento estratégico para garantir que o ecossistema doméstico não perca espaço para subsidiárias estrangeiras.

A imposição de restrições, contudo, divide opiniões. Críticos alertam que o veto pode desacelerar a inovação local, uma vez que pesquisadores americanos dependem de robôs de baixo custo para testes. Além disso, existe o risco de retaliações comerciais por parte de Pequim, incluindo restrições ao fornecimento de minerais essenciais para empresas como Tesla e Nvidia.

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