CRISE DO PETRÓLEO

EUA lideram coalizão pela liberdade marítima em Hormuz

EUA lideram coalizão pela liberdade marítima em Hormuz

Guerra contra o Irã mantém estreito fechado, barril a US$ 112.

Os Estados Unidos, através do presidente Donald Trump e seu Departamento de Estado, intensificam os esforços para formar uma coalizão internacional e reabrir o Estreito de Hormuz. A iniciativa foi decidida para enfrentar os impactos devastadores do bloqueio da via marítima, que, dois meses após o início da guerra contra o Irã, permanece fechada, gerando uma crise econômica global.

Essa paralisação da rota vital para o comércio global de petróleo já provocou uma disparada nos preços do Brent — referência mundial — que mais do que dobrou de valor desde 28 de fevereiro, início do conflito. A escalada do preço, que nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, viu o barril ultrapassar os US$ 112, impulsiona a inflação e aumenta os custos dos combustíveis em diversos países, afetando diretamente a dignidade e o poder de compra de milhões de pessoas.

Um documento do Departamento de Estado, obtido pela agência Reuters, detalha os planos americanos. Entre eles, está a formação da coalizão "Construção da Liberdade Marítima", voltada a assegurar a navegação na região e estabelecer uma nova arquitetura de segurança marítima no pós-conflito. Também se discute a possibilidade de forças americanas assumirem o controle de parte do Estreito de Hormuz, inclusive com tropas terrestres, para garantir a passagem de navios comerciais. O presidente Donald Trump deverá receber um relatório sobre possíveis novos ataques contra o Irã, buscando pressionar o regime a negociar.

Aliados como França e Reino Unido manifestaram interesse em participar da iniciativa, mas indicaram que só agiriam após o fim das hostilidades. Trump, aliás, tem criticado esses parceiros pela falta de apoio incisivo na guerra, especialmente porque Paris e Londres manifestaram-se contrariamente aos ataques americanos e descartaram operações para desbloquear o estreito durante o conflito.

Os EUA não divulgaram detalhes da coalizão, mas, segundo a agência AFP, Trump planeja manter o bloqueio naval contra portos iranianos por vários meses, visando pressionar a economia de Teerã. O líder republicano mantém a retórica provocativa, republicando nas redes sociais uma imagem do Estreito de Ormuz renomeado para "Estreito de Trump".

Por sua vez, o regime iraniano alerta para uma possível "ação militar sem precedentes" caso o bloqueio americano persista. Nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, o barril do Brent atingiu seu maior valor em três semanas, reflexo das tensões crescentes. O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, conforme a agência Student News Network, declarou que qualquer ataque dos EUA resultará em "ataques longos e dolorosos" contra posições americanas, comparando o impacto ao que já ocorreu em bases regionais.

Nos bastidores, a Reuters informa que o Paquistão tenta mediar uma saída negociada. O Irã propôs adiar as discussões sobre seu programa nuclear até o fim do conflito e a normalização da navegação, proposta rejeitada por Trump, que insiste em tratar do enriquecimento do urânio iraniano desde o início das negociações. Teerã afirma que busca o reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio para fins civis e que seu programa é pacífico, embora possua cerca de 440 km de urânio enriquecido a 60%, nível próximo ao necessário para armamento nuclear.

Apesar de um cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, o impasse continua. O Irã mantém o bloqueio do estreito em resposta a uma ação naval americana que restringe suas exportações de petróleo. Enquanto isso, o custo da guerra para os Estados Unidos cresce: segundo o secretário de Defesa, Pete Hegseth, os gastos militares dos EUA já somam US$ 25 bilhões (R$ 125 bilhões), o que representa 13% do que Washington destinou a Kiev desde o início da Guerra da Ucrânia, em fevereiro de 2022. O líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, enviou uma mensagem afirmando que os EUA sofreram uma derrota vergonhosa na guerra.

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