TRÉGUA EM RISCO

EUA e Irã divergem sobre cessar-fogo: imprensa afirma acordo, Teerã nega

Representação gráfica de tensão diplomática entre os Estados Unidos e o Irã.
Crise no Oriente Médio: confrontos e negociações marcam a relação entre EUA e Irã.

Relatos apontam pacto de 60 dias; governo iraniano desmente. Tensão aumenta com novos ataques e pressão política sobre Donald Trump.

O portal Axios e a agência Reuters, citando autoridades americanas anônimas, noticiaram nesta quinta-feira, 28/05/2026, que os Estados Unidos e o Irã teriam chegado a um acordo para estender o cessar-fogo entre os dois países por mais 60 dias. A notícia surge em meio a uma escalada de confrontos na região, incluindo ataques de Israel contra o Líbano e novas trocas de fogo envolvendo as forças americanas.

Segundo as fontes ocidentais, um documento finalizado estabeleceria a trégua e definiria um ponto de partida para futuras negociações, com foco especial no futuro do urânio enriquecido em posse do Irã. Contudo, o acordo ainda aguardaria a aprovação do presidente Donald Trump, cujas declarações recentes sobre a duração do conflito — iniciado há três meses, contrariando a previsão de seis semanas feita pelo próprio mandatário — têm sido contraditórias.

Poucas horas após a divulgação pela imprensa americana, a agência de notícias estatal do Irã refutou a informação, declarando que o documento não foi finalizado e que qualquer acordo será tornado público oficialmente. A posição iraniana lança dúvidas sobre a veracidade dos relatos e a iminência de uma pacificação na tensa relação bilateral.

A situação é agravada pela pressão interna sobre Donald Trump. Aliados do Partido Republicano no Congresso expressam forte oposição a qualquer acordo de paz que não garanta a retirada ou destruição do urânio enriquecido iraniano. O senador Lindsey Graham, por exemplo, alertou no último dia 23 sobre o risco de o Irã se tornar uma força dominante no Golfo, caso mantenha sua capacidade de enriquecimento, o que seria um cenário alarmante para Israel e alteraria o equilíbrio de forças na região.

A escalada de hostilidades foi evidenciada por ataques americanos na quarta-feira, 27/05/2026, contra um local militar iraniano que, segundo os EUA, representava ameaça às suas forças e ao tráfego marítimo no estreito de Hormuz. Na mesma ocasião, militares americanos relataram a interceptação e abate de drones iranianos. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã alegou ter atacado uma base aérea dos EUA, de onde partiriam as ofensivas.

O Kuwait também se manifestou, condenando as ações iranianas como uma "perigosa escalada" após ter respondido a ataques com mísseis e drones. O Ministério das Relações Exteriores kuwaitiano exigiu o fim das ofensivas e ressaltou o direito do país de tomar medidas para garantir sua segurança, adicionando mais um elemento de instabilidade ao já crítico quadro geopolítico.

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