RISCO À SOBERANIA

EUA classificam PCC e CV como terroristas; Sarrubbo alerta para dificuldades na troca de informações entre FBI e PF

Mário Sarrubbo em entrevista.
Mário Sarrubbo, ex-secretário nacional de Segurança Pública, criticou a decisão dos EUA.

Ex-secretário nacional de Segurança Pública Mário Sarrubbo avalia que decisão americana compromete cooperação policial e pode gerar precedentes perigosos.

A classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, anunciada recentemente, gerou surpresa e preocupação entre especialistas em segurança. Nesta sexta-feira, 29/05/2026, Mário Sarrubbo, ex-secretário nacional de Segurança Pública, expressou à CNN Brasil que a medida impactará negativamente a troca de informações entre o FBI e a Polícia Federal (PF) brasileira.

Sarrubbo explicou que a alteração transforma uma questão policial em uma questão de defesa, o que representa um prejuízo significativo para o Brasil. Ele ressaltou a tradição e a fluidez da cooperação entre a PF e as agências americanas, que ocorre de forma quase diária. O ex-secretário destacou a existência de um centro de cooperação internacional no Brasil com a presença de policiais americanos, uma estrutura que, segundo ele, pode ser comprometida, uma vez que agências de inteligência como a CIA e as Forças Armadas americanas não possuem a mesma tradição de colaboração policial direta.

Essa mudança, avalia Sarrubbo, dificultará o enfrentamento ao crime organizado transnacional. Ele citou um exemplo vivenciado em que, com o apoio de contatos consulares e da embaixada americana, foi possível identificar e congelar recursos de uma transação financeira ilícita originada nos Estados Unidos em poucos dias. Situações como essa, de cooperação rápida e eficaz, tendem a ficar inviabilizadas ou severamente prejudicadas.

Outro ponto de alerta levantado pelo ex-secretário é o risco hipotético de a Central de Inteligência Americana passar a atuar diretamente no Brasil. Sarrubbo também mencionou a possibilidade, embora considerada drástica por muitos, de incursões territoriais, remetendo a incidentes como os ocorridos na costa do Caribe com a Venezuela, onde embarcações foram bombardeadas sob alegação de tráfico de drogas.

Para Sarrubbo, a situação representa uma "normalização do absurdo" e exige cautela. Ele alertou que, caso ocorram incursões ou interferências diretas, haverá uma grave violação da soberania brasileira, com impactos profundos na dignidade e autonomia do país.

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