DECISÃO DOS EUA
EUA classificam PCC e Comando Vermelho como terroristas; Lula reage contra interferência estrangeira
Governo brasileiro critica medida, alertando para riscos à soberania nacional e ao sistema financeiro. Ministro da Fazenda afirma que PIX pode ser ameaçado.
O governo brasileiro manifestou forte repúdio, nesta sexta-feira (29/05/2026), à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O presidente Lula classificou a medida como uma interferência estrangeira e uma afronta à soberania nacional, enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou para os potenciais impactos negativos no sistema financeiro brasileiro, incluindo o PIX.
A primeira reação pública partiu do presidente Lula, em evento realizado em Sergipe nesta sexta-feira (29/05/2026). Ele criticou a classificação anunciada na quinta-feira (28/05/2026) pelo governo americano, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio. Para o presidente, a atitude desrespeita o Brasil e o coloca em posição de subserviência, comparando a situação a ser tratado "como moleque".
Lula mencionou um encontro anterior com o ex-presidente Donald Trump, onde tratou do combate ao crime organizado, e insinuou que a decisão atual pode ter motivações políticas, ligadas a tentativas de intervenção estrangeira nos assuntos internos do Brasil, especialmente considerando as riquezas naturais do país, como minerais críticos, terras raras e a vasta Amazônia. "Não brinquem com a soberania desse país. Não brinquem com a nossa democracia", declarou o presidente, recomendando a aprovação da PEC da segurança pública no Senado como alternativa para o combate ao crime organizado.
Desde 2025, quando os EUA iniciaram a cogitação sobre a classificação, o Brasil se posicionou contra a iniciativa. O Palácio do Planalto considera a medida uma ameaça à soberania, pois abre precedentes para ações unilaterais americanas e questiona a capacidade do Estado brasileiro de lidar com suas próprias questões de segurança. A Casa Civil, em reunião coordenada pela ministra Miriam Belchior e com a participação dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Dario Durigan (Fazenda), avaliou o cenário.
Em nota oficial, o Palácio do Planalto reiterou que o Brasil combate o PCC, o Comando Vermelho e outras facções, e que o terror causado por essas organizações busca lucro e não deve ser confundido com terrorismo internacional de cunho ideológico ou político. A nota também condenou o que chamou de "deplorável" comportamento de "integrantes da família Bolsonaro" que viajariam aos EUA para defender intervenção estrangeira no Brasil. A soberania nacional, segundo o governo, é inegociável e o país rejeita qualquer interferência externa.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, detalhou que a classificação unilateral dos EUA representa uma interferência que pode afetar a economia brasileira. Ele apontou para um aumento na percepção de risco, potencial retração de investimentos e até mesmo a possibilidade de sanções a bancos. Durigan afirmou que as instituições financeiras brasileiras já estão revisando e fortalecendo suas regras de compliance para evitar questionamentos relacionados à decisão americana, classificando a medida como prejudicial para a economia e para as empresas do Brasil.
O PIX, sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, foi citado como particularmente ameaçado. Segundo o ministro, o PIX é um símbolo da soberania financeira do Brasil e sofre resistência de interesses privados e corporativos que desejariam retomar posições de intermediação e cobrança de taxas. A possibilidade de o PIX ser acusado de instrumento do crime organizado é um risco real, e o governo se compromete a garantir sua continuidade e disponibilidade para toda a população como um marco de soberania financeira.
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