EUA IMPÕEM TARIFAS

EUA citam decisão de Toffoli sobre Odebrecht em justificativa para tarifas sobre produtos brasileiros

Foto do ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal.
Ministro Dias Toffoli do STF.

Governo Donald Trump usa decisão do STF sobre Odebrecht e Operação Lava Jato como argumento para taxa de 25% em produtos brasileiros. Prazo para definição é 15 de julho.

O governo de Donald Trump citou a decisão do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), que anulou provas da Odebrecht, como um dos motivos para a proposta de imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A alegação é de fragilidade no combate à corrupção no país.

A referência consta em documento divulgado pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) na noite de segunda-feira, 01/06/2026. O órgão sustenta que o Brasil adota práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano, passíveis de sanções pela Lei de Comércio dos EUA. Segundo o relatório, o Brasil falha em adotar medidas suficientes contra o suborno e a corrupção, ecoando preocupações sobre a efetividade de investigações e processos já manifestadas pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Ao abordar a Operação Lava Jato, o USTR destacou especificamente a decisão de Toffoli em setembro de 2023, que anulou as provas derivadas do acordo de leniência com a Odebrecht. O documento ressalta que essa medida afetou o que descreve como o maior esquema de corrupção transnacional da história, levando à anulação de mais de uma centena de processos no Brasil.

O governo americano também criticou a suspensão em 2024 de sanções contra empresas que confessaram participação em esquemas de corrupção, e a subsequente renegociação dos acordos de leniência. Essas renegociações, segundo o USTR, têm avançado sem transparência e em meio a conflitos de interesse, conforme apontado por organismos internacionais.

A menção à decisão do ministro se insere em um contexto mais amplo de críticas americanas a políticas brasileiras. O USTR argumenta que práticas comerciais digitais, serviços de pagamento, tarifas preferenciais, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, medidas anticorrupção e desmatamento ilegal impõem restrições ao comércio dos Estados Unidos.

Com base nesses argumentos, o órgão propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre a maioria das importações brasileiras, com exceções para produtos como carne bovina, café, frutas, castanhas, especiarias, petróleo e minérios metálicos. Antes da aplicação definitiva, o governo americano realizará consultas públicas. Uma audiência sobre a ação proposta ocorrerá em 6 de julho de 2026, e o prazo final para definição e aplicação de medidas corretivas contra o Brasil é 15 de julho de 2026.

O governo brasileiro já antecipava sanções vindas dos EUA, com a expectativa de uma recomendação de punição, embora sem aplicação imediata, segundo informações obtidas pela CNN Brasil.

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