ATENÇÃO COMERCIAL

EUA analisam práticas comerciais brasileiras em audiências públicas

Fachada do prédio do USTR, em Washington.
Sede do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) em Washington.

Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) investiga alegações de concorrência desleal e trabalho análogo à escravidão envolvendo o Brasil. Decisões podem impactar exportações e relações bilaterais.

O Brasil está sob escrutínio em duas audiências públicas organizadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). As sessões, iniciadas nesta terça-feira, 07/07/2026, visam apurar supostas práticas comerciais que prejudicam os interesses dos Estados Unidos. As decisões podem ter repercussões significativas na economia e na reputação internacional do país.

A primeira audiência, que se estende até hoje, 07/07/2026, analisa a proposta de sobretaxar em 25% diversos produtos brasileiros. O foco recai sobre seis áreas: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico (Pix); tarifas preferenciais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e o desmatamento ilegal. Estas investigações, fundamentadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, têm como objetivo identificar e corrigir condutas consideradas desleais ou danosas aos interesses americanos.

Paralelamente, a partir de hoje, 07/07/2026, uma segunda audiência pública aborda, em um painel com 60 nações, incluindo o Brasil, as alegações de falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão e à exportação de bens produzidos sob condições de trabalho forçado. Esta discussão deve prosseguir por três dias, até quinta-feira, 09/07/2026.

As audiências, realizadas em Washington (EUA), representam um momento crucial de consultas formais. Setores produtivos, governos de países investigados e empresas americanas que se sentem afetadas pelas práticas em análise têm a oportunidade de apresentar seus argumentos. A primeira investigação sob a Seção 301 foi instaurada em julho de 2025, enquanto a segunda teve início em março de 2026.

Diversas entidades e empresas brasileiras, como a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Conselho Brasileiro de Exportadores de Café (Cecafé), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Embraer, inscreveram-se para participar. O senador Flávio Bolsonaro também será ouvido nas discussões.

A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) e o Sindicato da Indústria do Ferro de Minas Gerais (Sindifer) destacam a estratégia de demonstrar que a imposição de tarifas sobre rochas naturais brasileiras prejudicaria empresas americanas e a economia dos Estados Unidos. A Centrorochas aponta que os EUA são o maior mercado para suas exportações, que somaram US$ 795 milhões no ano passado, movimentando 587 mil toneladas. A entidade conta com o apoio de organizações americanas, como o Natural Stone Institute (NSI).

Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas, ressalta que as rochas brasileiras complementam a produção doméstica americana, gerando empregos e renda. "As rochas naturais brasileiras não representam uma ameaça à produção doméstica americana. Pelo contrário, complementam uma cadeia produtiva que gera empregos, investimentos e renda em diversos estados dos Estados Unidos."

Em resposta, o governo brasileiro, por meio do Itamaraty, contestou as conclusões preliminares do USTR. Em documento enviado no início do mês passado, o Brasil argumentou que suas práticas comerciais não prejudicam os EUA e solicitou a abstenção de medidas unilaterais. O governo brasileiro sustenta que o USTR não estabeleceu o nexo legal exigido entre atos brasileiros e ônus ao comércio dos EUA, e que as conclusões se baseiam em discordâncias sobre escolhas políticas soberanas, o que, segundo o Itamaraty, é insuficiente para justificar ações sob a Seção 301.

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