SAÚDE E ESPORTE

Estudos indicam que cabeceios no futebol podem elevar risco de trauma craniano

Jogadores de futebol disputando uma bola de cabeça durante partida da Copa do Mundo.
Dos 215 gols na fase de grupos da Copa, 25 foram de cabeça | Reprodução CazéTV 29.jun.2026

Pesquisas apontam possíveis alterações cerebrais estruturais causadas por impactos repetidos, mesmo na ausência de concussões diagnosticadas.

A comunidade médica intensificou as investigações sobre os impactos do futebol no cérebro, especialmente no que diz respeito aos recorrentes cabeceios. A análise, que ganhou força durante a Copa do Mundo de 2026, quando 25 dos 215 gols marcados na fase de grupos foram de cabeça, segundo dados da Fifa, busca compreender se a repetição desses movimentos pode comprometer a saúde neurológica a longo prazo, conforme observado neste sábado, 11/07/2026.

O foco principal dos estudos, como a revisão publicada na Neuroradiology, recai sobre a substância branca e a substância cinzenta. Alterações na integridade dessas regiões, embora não signifiquem automaticamente o desenvolvimento de doenças, indicam modificações na estrutura ou na comunicação entre os neurônios.

Pesquisadores da Universidade Columbia, em análise da coorte divulgada em 2025 pela JAMA Network Open, identificaram que a região orbitofrontal é particularmente afetada. Paralelamente, um ensaio na Sports Medicine – Open demonstrou que 20 cabeceios em curto período já geram mudanças sutis em exames de ressonância, ainda que sem sintomas cognitivos imediatos.

Para o neurocirurgião Andre Gentil, do Einstein Hospital Israelita, a cautela é a melhor estratégia. "As evidências atuais não são conclusivas, mas já parecem suficientes para recomendar medidas de redução de exposição a esse tipo de trauma, especialmente em crianças e adolescentes", afirma.

O especialista reforça, no entanto, que o esporte segue sendo um pilar essencial para o desenvolvimento social e físico. Enquanto o NCAA-DOD CARE Consortium continua seu monitoramento longitudinal com mais de 53.000 atletas, a recomendação médica é priorizar o bom senso, uma vez que não há consenso sobre a necessidade de regras rígidas da Fifa para subconcussões. O debate permanece aberto, com ênfase na prevenção e no acompanhamento de longo prazo.

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