SUSTENTABILIDADE E FLORESTAS
Estudo revela ritmo acelerado de crescimento em florestas plantadas na China
Pesquisa aponta que áreas reflorestadas absorvem CO₂ de forma distinta das matas nativas, revelando limites e potências do manejo florestal.
A China alcançou um marco significativo em sua estratégia ambiental ao registrar que florestas plantadas crescem, em média, 66% mais rápido do que áreas naturais. O fenômeno, detalhado em pesquisa publicada na Geophysical Research Letters, altera a compreensão sobre o papel dessas vastas extensões vegetais no combate à desertificação e no balanço de carbono global, conforme dados analisados em 11 de julho de 2026.
Desde 1978, a China implementa a Grande Muralha Verde, um projeto monumental que já soma 66 bilhões de árvores plantadas. A iniciativa foi concebida originalmente para conter o avanço dos desertos de Gobi e Taklamacã, onde a areia ameaçava engolir pradarias inteiras. O impacto visual e ecológico é notável: a cobertura florestal nas regiões afetadas saltou de 5% em 1978 para 14% em 2023, reduzindo tempestades de poeira e purificando o ar em centros urbanos.
A equipe liderada por Yuhang Luo, da Universidade de Pequim em Shenzhen, utilizou imagens de satélite para comparar o índice de área foliar entre florestas naturais e as manejadas. O estudo aponta que o crescimento acelerado nas áreas de reflorestamento ocorre devido ao manejo intensivo e à escolha de espécies de crescimento rápido, como eucaliptos e álamos. Mesmo em idades comparáveis, as florestas plantadas superam as naturais em 4,6% na velocidade de expansão foliar.
A vantagem técnica, contudo, possui um horizonte limitado. Segundo as conclusões de Luo, o ápice da eficiência ocorre quando as árvores atingem entre 30 e 40 anos, fase após a qual o ritmo diminui. "As florestas plantadas podem ser uma ferramenta muito eficaz de curto prazo, mas essa vantagem é temporária. Para a resiliência de longo prazo, as florestas naturais continuam sendo insubstituíveis", pontuou o especialista à Live Science.
O cenário acadêmico mantém um debate atento sobre essas métricas. Pesquisadores como Kevin Dsouza, da Universidade de Waterloo, alertam que o índice de área foliar não traduz, de forma isolada, a capacidade total de armazenamento de carbono, que também ocorre em raízes e no solo. Para o setor, o consenso é que o projeto chinês, embora impressionante, exige um refinamento constante na escolha de espécies e técnicas de administração para garantir que o saldo de carbono permaneça positivo nas próximas décadas.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário