IMPACTO SOCIAL URBANO

Estudo da UnB e UFRJ aponta tarifa zero como novo Bolsa Família

Tarifa zero no transporte público: impacto econômico e social
Estudo da UnB e UFRJ revela potencial da tarifa zero como novo Bolsa Família. Foto: Agência Brasil.

Pesquisa projeta injeção de R$ 45,6 bilhões anuais na economia. Iniciativa pode combater desigualdades raciais e promover dignidade.

Um estudo pioneiro, divulgado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) nesta terça-feira, 05/05/2026, revelou que a implementação da tarifa zero no transporte público das 27 capitais brasileiras pode injetar R$ 45,6 bilhões anualmente na economia e ter um impacto social transformador, equiparando-se ao Programa Bolsa Família. A pesquisa, coordenada pelo professor Thiago Trindade, propõe a gratuidade como uma potente ferramenta de distribuição de renda, com potencial para combater desigualdades raciais e elevar a dignidade de milhões de brasileiros, ao converter gastos compulsórios com transporte em renda disponível e estimular o consumo.

Intitulada "A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda", a investigação aprofundou como essa medida poderia, de fato, reduzir drasticamente as desigualdades sociais. O financiamento do estudo contou com o apoio da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero no Congresso Nacional e da Fundação Rosa Luxemburgo, evidenciando o interesse e a relevância do tema no cenário nacional.

Liquidez imediata para famílias

A análise da pesquisa abrange o transporte metropolitano de ônibus e trilhos, utilizando dados atualizados da Pesquisa Nacional de Mobilidade, de 2024, além de indicadores das operadoras de ônibus e sistemas metroferroviários. Os resultados demonstram que, embora a implementação da gratuidade represente uma injeção bruta de R$ 60,3 bilhões anuais, o estudo descontou os 24,38% de isenções e gratuidades já existentes (para idosos, estudantes e pessoas com deficiência), que somam R$ 14,7 bilhões. Assim, a injeção real e nova na economia seria de R$ 45,6 bilhões.

"Estamos falando de uma injeção de liquidez imediata no bolso das famílias brasileiras. Ao converter o gasto compulsório com passagens em renda disponível, o Estado promove um estímulo econômico que volta para a sociedade na forma de consumo e arrecadação de impostos sobre produtos", explica o professor Thiago Trindade.

Salário indireto e direito social

Os pesquisadores argumentam que a tarifa zero pode desempenhar um papel tão vital para o Brasil hoje quanto o Programa Bolsa Família teve há duas décadas, ao atuar como um "salário indireto". Essa abordagem beneficia diretamente as camadas mais vulneráveis da sociedade, incluindo a população negra e os moradores de periferias, que gastam uma parcela significativa de sua renda com transporte. Tratar a gratuidade como um direito social, nos moldes do SUS ou da Educação Pública, é uma das propostas centrais do estudo.

"A implementação da tarifa zero em escala nacional reforçaria o protagonismo do Brasil na vanguarda das experiências globais de redução de desigualdades e aprofundamento democrático", ressalta o estudo.

Caminhos para o financiamento

Para viabilizar uma política nacional de transporte gratuito, professores da UnB já argumentaram, no ano de 2025, sobre a substituição do sistema de vale-transporte por um novo modelo de financiamento. Este envolveria, inicialmente, empresas privadas e públicas com dez ou mais funcionários. A estimativa do grupo de pesquisa indica que 81,5% dos estabelecimentos ficariam isentos dessa contribuição, tornando o modelo sustentável.

"A gente tem como fazer um programa de tarifa zero sem onerar o orçamento da União", assegura o professor Trindade, reforçando a factibilidade da proposta para um futuro mais equitativo.

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