CIÊNCIA REVELA NOVO BENEFÍCIO
Estudo brasileiro: treino de força protege o fígado contra obesidade
Pesquisa da Unicamp, publicada na Life Sciences em 26 de novembro de 2025, identificou em camundongos como a musculação melhora o funcionamento hepático e reverte alterações genéticas associadas à gordura no fígado. Resultados precisam ser confirmados em humanos.
Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta que o treino de força, popularmente conhecido como musculação, pode oferecer proteção adicional ao fígado. O estudo, publicado na renomada revista científica Life Sciences em 26 de novembro de 2025, desvendou mecanismos moleculares que explicam como a atividade física impacta positivamente o órgão, especialmente em contextos de obesidade.
A investigação, realizada com camundongos, demonstra que a prática regular de exercícios de força pode não apenas melhorar o funcionamento hepático, mas também reverter alterações genéticas ligadas ao acúmulo de gordura no fígado, uma condição frequentemente associada à obesidade. Esses achados abrem novas perspectivas sobre os benefícios abrangentes da musculação e indicam um caminho promissor para futuras intervenções em humanos.
Como a pesquisa desvendou os efeitos da musculação
Para examinar o impacto do treinamento de força, os pesquisadores induziram obesidade em um grupo de camundongos por meio de uma dieta hipercalórica e rica em gorduras. Posteriormente, uma parte dos animais participou de um programa de oito semanas de treinamento de força, enquanto um grupo controle manteve-se sedentário.
A análise dos fígados dos animais ao término do experimento revelou mudanças significativas. Os camundongos submetidos ao treino de força exibiram uma melhora acentuada na resposta do fígado à insulina, um hormônio essencial para a regulação da glicose sanguínea. Além disso, observou-se um estímulo a mecanismos celulares envolvidos na produção de energia.
Um dos achados mais relevantes diz respeito ao gene MTCH2, que desempenha um papel no metabolismo e no acúmulo de gordura hepática. Em camundongos obesos, a atividade deste gene estava elevada. No entanto, após o período de treinamento, essa atividade foi normalizada por meio de um processo epigenético, que modula a expressão gênica sem alterar a sequência do DNA.
Os autores do estudo interpretam essas descobertas como uma explicação molecular para a capacidade do treinamento de força em proteger o fígado contra os danos decorrentes da obesidade. Contudo, os especialistas ressaltam que os resultados, embora promissores, foram obtidos em um modelo animal e a confirmação em estudos clínicos com seres humanos é fundamental.
Este trabalho enriquece o entendimento científico sobre os efeitos sistêmicos da musculação, evidenciando que seus benefícios transcendem o desenvolvimento muscular e atingem a saúde de órgãos vitais como o fígado.
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