SAÚDE & BEM-ESTAR
Estudo alerta: Interrupção de Ozempic reduz eficácia de perda de peso
Pesquisa da Universidade da Pensilvânia com camundongos aponta que retomar o uso de análogos de GLP-1 resulta em 20% menos perda de peso.
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, revelaram uma descoberta crucial para milhões de pessoas que utilizam medicamentos análogos de GLP-1, como Ozempic e Wegovy. Um estudo publicado no Journal of Clinical Investigation Insight concluiu que interromper e, posteriormente, retomar o uso dessas substâncias pode comprometer significativamente a eficácia do tratamento, seja para diabetes ou para a perda de peso. A pesquisa sublinha a necessidade de um compromisso contínuo com a medicação para alcançar e manter os resultados desejados, evitando frustrações e impactos adversos à saúde dos indivíduos.
A notícia sobre este estudo, publicada nesta terça-feira, 05/05/2026, traz uma perspectiva importante para pacientes e profissionais de saúde. Os chamados “remédios emagrecedores”, como Ozempic e Wegovy, agem simulando a ação do hormônio GLP-1, que tem papel na regulação do apetite e da produção de insulina. A pesquisa investigou como a alternância no uso dessas substâncias interfere nos resultados ao longo do tempo.
O estudo, realizado com camundongos, indicou que a eficácia do tratamento está diretamente ligada à regularidade da administração. Animais que tiveram o uso do medicamento interrompido e posteriormente retomado apresentaram menor perda de peso em comparação com aqueles que mantiveram o uso contínuo.
Conforme o estudo, "Iniciar o GLP-1 pode ser uma das decisões que as pessoas precisam discutir e tomar com seu médico sabendo que o uso do medicamento exige um compromisso de longo prazo, e pode não ser a melhor opção para pessoas que têm dificuldade em tomar medicação diariamente ou semanalmente." De acordo com os cientistas, cerca de metade dos usuários inicia o tratamento com medicamentos dessa classe, mas uma parcela significativa interrompe o uso e depois retorna. Essa prática, segundo a análise, pode comprometer os efeitos esperados.
No experimento, os pesquisadores dividiram os animais em dois grupos. Um deles recebeu semaglutida — princípio ativo presente nesses medicamentos — de forma contínua durante todo o período de observação. O outro grupo teve o tratamento interrompido por algumas semanas e depois retomado.
Os resultados mostraram que os animais submetidos à interrupção recuperaram parte do peso perdido mais rapidamente. Já aqueles que mantiveram o uso contínuo apresentaram redução de peso mais consistente ao longo do tempo. Além disso, quando o tratamento foi reiniciado após a pausa, os efeitos não atingiram o mesmo nível observado no início. Mesmo após 62 dias de uso contínuo ao final do estudo, o grupo que interrompeu o medicamento permaneceu com cerca de 20% menos perda de peso em comparação ao grupo que não interrompeu.
Os pesquisadores sugerem que o fenômeno se relaciona a adaptações do organismo. Eles explicam que a perda de peso inicial com esses medicamentos tipicamente distribui-se em 40% de massa magra e 60% de gordura. Contudo, ao interromper o tratamento, a recuperação do peso ocorre quase que exclusivamente como gordura. Assim, ao retomar a medicação, a composição corporal já está alterada, o que pode influenciar a resposta subsequente.
Os análogos de GLP-1 atuam em receptores presentes em diferentes partes do organismo, influenciando tanto o controle glicêmico quanto a sensação de saciedade. Ao reduzir o apetite, esses medicamentos contribuem para menor ingestão calórica e, consequentemente, perda de peso.
Especialistas ressaltam que a interrupção sem orientação médica pode comprometer não apenas os resultados estéticos, mas também o controle metabólico em pacientes com diabetes. Por isso, a decisão de iniciar ou interromper o tratamento deve ser feita com acompanhamento profissional.
Os achados reforçam a importância da adesão contínua ao tratamento para alcançar e manter os resultados esperados. Embora novos estudos ainda sejam necessários, os dados indicam que a consistência no uso dos medicamentos é um fator determinante para a eficácia a longo prazo.
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