BOLSA EM ALERTA
Estrangeiros retiram quase R$ 10 bi da Bolsa em maio; guerra e inflação impactam aportes
Investidores retiraram mais de R$ 9,64 bilhões da B3 apenas nos primeiros 15 dias de maio, reflexo da instabilidade global e das incertezas econômicas internas.
Investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 9,64 bilhões da Bolsa de Valores brasileira, a B3, desde o início do mês de maio. Este recuo parcial já configura o maior resgate mensal em 2026, superando os R$ 11,36 bilhões registrados em abril. Os dados foram compilados pela consultoria Elos Ayta e revelam um cenário de cautela acentuada no mercado financeiro brasileiro.
Desde o pico de entradas em janeiro de 2026, quando o fluxo estrangeiro somou R$ 26,31 bilhões, a B3 tem observado quedas consecutivas nos aportes. A instabilidade geopolítica, com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, tem sido um dos principais fatores de aversão ao risco para os capitais internacionais.
O conflito global também reverbera na economia brasileira, influenciando a inflação. Em abril, o índice registrou alta de 0,67%, um fator crucial que tem levado o Banco Central a adotar cortes de juros mais modestos e cautelosos. A preocupação com a escalada de preços impacta diretamente as decisões de investimento.

Apesar da recente saída expressiva, o saldo acumulado do ano na Bolsa permanece positivo. Até 15 de maio, a entrada líquida de recursos estrangeiros alcançou R$ 46,90 bilhões, excluindo operações de IPOs e Follow-Ons. Este valor já supera a entrada total registrada em 2025, que foi de R$ 25,47 bilhões, mas ainda está distante do recorde de 2022, quando os aportes ultrapassaram R$ 100 bilhões.

A consultoria Elos Ayta interpreta essa desaceleração não como uma reversão estrutural, mas como uma mudança de comportamento dos investidores. Entre os motivos apontados estão a realização de lucros após um início de ano promissor, o aumento da aversão a risco diante do cenário global e as oscilações em commodities essenciais, como o petróleo.
A análise destaca que o Brasil, nesse contexto, é percebido como um ativo de maior risco em portfólios globais. Isso se traduz em entradas expressivas quando o apetite por risco aumenta e em saídas rápidas em períodos de maior cautela, como o vivenciado atualmente.
O cenário de juros e inflação no Brasil ganha contornos cada vez mais relevantes para os agentes financeiros. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem sido revisado para cima pelos economistas consultados pelo Boletim Focus, do Banco Central, com projeção de fechar o ano em 4,92% – acima do teto da meta. A expectativa para a taxa Selic também aumentou, com o mercado agora prevendo 13,25% para 2026, com a taxa básica de juros só devendo retornar a um dígito na próxima década.
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