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Estados Unidos aplicam sanções contra cidadãos e empresas brasileiras por suspeita de ligação com o PCC

Fachada do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos em Washington D.C.
Estados Unidos impõem sanções a empresas e cidadãos brasileiros por suposta ligação com o PCC

O Departamento do Tesouro americano congelou bens e proibiu transações com indivíduos e negócios acusados de lavar dinheiro para a facção criminosa PCC.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira, 02/07/2026, sanções contra dois cidadãos brasileiros e quatro empresas – três paulistas e uma portuguesa – por suposta atuação na lavagem de dinheiro do PCC. Esta medida representa a primeira ação financeira do governo Trump contra brasileiros após a classificação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas internacionais. A decisão impacta diretamente a dignidade e a segurança financeira dos sancionados e levanta preocupações sobre efeitos secundários em instituições brasileiras.

O governo americano descreve o PCC como a maior organização criminosa transnacional do Ocidente e alega que a facção se utiliza do sistema financeiro dos EUA para ocultar recursos provenientes do tráfico. As sanções atingem diretamente a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia, a Pixwave Soluções de Pagamentos, a Wave Construções Inteligentes – todas sediadas em São Paulo – e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal.

De acordo com o Tesouro americano, Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Henrique de Oliveira, apontada como sua parente e responsável pela logística de dinheiro, controlavam ou administravam essas empresas. O objetivo, segundo a acusação, era dar uma fachada de legalidade às movimentações financeiras, dificultando a rastreabilidade dos fundos. Shimada é considerado um elo crucial entre agentes do PCC na Flórida e traficantes de drogas estrangeiros.

A estrutura sob o comando de Shimada teria movimentado mais de US$ 30 milhões, o equivalente a mais de R$ 150 milhões, para o PCC na Flórida, com os valores retornando ao Brasil via criptomoedas. As sanções americanas resultam no bloqueio de bens de Shimada, de Stella de Oliveira e de suas empresas nos Estados Unidos, além de proibir transações financeiras com eles. Instituições financeiras estrangeiras com negócios relevantes com os sancionados também podem ser penalizadas.

Victor Shimada já foi condenado por lavagem de dinheiro em julho de 2025, com possibilidade de recurso. Uma de suas empresas foi utilizada para lavar R$ 35 milhões desviados de um banco. Ele chegou a ser preso, mas a medida foi substituída por cautelares. Além disso, Shimada é réu desde 2025 em um processo que investiga desvios de recursos no contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas Vai de Bet. Essa investigação também é citada pelo governo americano.

O ex-presidente do Corinthians, Augusto Melo, também é réu neste processo que apura o contrato de R$ 360 milhões. O caso, que já está em fase final, levou ao afastamento de Melo e outros dirigentes em maio de 2025. O Ministério Público pede uma indenização de R$ 40 milhões ao clube. Relatórios da Polícia Civil de São Paulo indicam que duas das empresas sancionadas, Victory Trading e Wave, foram usadas para lavar dinheiro desviado do Corinthians. O delegado Tiago Correia as descreve como 'empresas bolsão', criadas para abrigar recursos de origem ilícita.

As investigações apontam que os recursos lavados pelas empresas de Shimada eram destinados a uma empresa de gestão de carreira de atletas, suspeita de ligações com o PCC. Essa empresa foi mencionada na delação de Vinícius Gritzbach, morto em 2024, que também lavava dinheiro para a facção. O Corinthians afirmou que Shimada nunca trabalhou para o clube.

Em pronunciamento, a secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães, declarou que o governo não apoia criminosos e expressou receio quanto aos possíveis efeitos colaterais das sanções sobre terceiros e instituições financeiras brasileiras, evidenciando um dilema entre a aplicação da justiça e a proteção da economia nacional.

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